O HISTORIADOR


 
   PROFESSOR  FLORESTAN  FERNANDES
 

 
 Florestan Fernandes nasceu em São Paulo, no dia 22 de julho de 1920.
Sua luta pela vida começou já na infância, para conquistar o próprio nome - já
que patroa de sua mãe o chamava de Vicente, por considerar que Florestan não
era nome de pobre - e sobreviver começou a trabalhar aos seis anos, o que o
impediu de completar o curso primário e o levou a se formar no curso de
madureza (supletivo).

Era vendedor de produtos farmacêuticos quando, aos 18 anos, ingressou na
Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo em
1947, formando-se em ciências sociais. Doutorou-se em 1951 e foi assistente
catedrático, livre docente e professor titular na cadeira de sociologia,
substituindo o sociólogo e professor francês Roger Bastide em caráter
interino até 1964, ano em que se efetivou na cátedra.

O nome de Florestan Fernandes está obrigatoriamente associado à pesquisa
sociológica brasileira. Sociólogo e professor universitário com mais de
cinquenta obras publicadas, transformou as ciências sociais no Brasil e
estabeleceu um novo estilo de pensamento.

Foi mestre de sociólogos renomados, como Octavio Ianni e Fernando Henrique
Cardoso. Cassado com base no AI-5, em 1969, deixou o país e lecionou nas
universidades de Columbia (EUA), Toronto (Canadá) e Yale (EUA). Retornou ao
Brasil em 1972 e passou a lecionar na PUC-SP. Não procurou reintegra-se à
USP, da qual recebeu o título de professor emérito em dezembro de 1985.

Florestan esteve ligado ao Partido dos Trabalhadores (PT) desde sua
fundação. Em 1986 filiou-se ao partido e exerceu dois mandatos de deputado
federal (1987-1991 e 1991-1995).

Colaborou com a Folha de São Paulo, desde os anos 40 e, em junho de 1989, passou a ter uma
coluna semanal nesse jornal.

Florestan não via o destino da ex-URSS como o fim do socialismo e do
marxismo, nem a globalização como a esperança dos excluídos - ao menos,
dizia, enquanto o "capitalismo da fase atual não conseguir uma equação
definitiva para a questão social".

UM HOMEM COMO POUCOS.
Florestan Fernandes, sempre teve tendência socialista. Mas teve mesmo! Florestan nunca foi socialista de ocasião. Tinha convicção de que sustentaria sua tese, seja qual fosse aquilo que pude-se lhe perseguir. Realmente isso aconteceu. Quando da "revolução redentora" ele não teve mais espaço para continuar sua tese. Como se, ser socialista  fosse crime. Como aconteceu com Cid franco. Cassado e tendo seus direitos políticos suspensos, pelo simples fato de pertencer a um partido socialista. Florestan levou a serio sua ideologia. Já no ocaso da vida, doente, e bastante doente, tendo um belo plano de saúde, ele preferiu ir ao hospital do servidor publico, fazer tratamento e se internar. Um dia seu filho Florestan Júnior, preocupado com a saúde do pai, foi a seu quarto de madrugada, para averiguar se ele precisa-se de algo. A cama estava vazia. O filho já sabia onde estava seu pai.
Pegou o carro e foi para a rua Pedro de Toledo.
E não deu outra. Lá estava Florestan na fila dos pacientes que recolhiam suas contribuições ao IAMSP. Levando  bronca de seu filho. 
Pai, você dispõe de um bom plano de saúde, e fica neste frio ?. 
A resposta foi seca. Sou um servidor publico, como todos estes que aqui estão.
Florestan Fernandes, morreu  em São Paulo dia 10 de agosto de 1995.
Escreveu: Mário Lopomo


Escrito por mário Lopomo às 14h05
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