O HISTORIADOR




Escrito por mário Lopomo às 15h06
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                                                    MOVIMENTO MILITAR  DE 1964

                          DENOMINADA  DE "A REDENTORA  DA DEMOCRACIA"

Na verdade tudo teve inicio em 1961 quando Jânio Quadros  renunciou seu mandato. João Goulart o vice de Jânio, estava na China em missão oficial. Quando teve que voltar para ocupar o posto de presidente como mandava a constituição da época, atraves do seu artigo 79. João Goulart  teve problemas, pois não era bem visto pelos militares que não, o viam com bons olhos, por fatos já acontecidos anteriormente. João Goulart tinha ideologia puramente comunista. Deu-se então uma polemica bem grande se ele tomava posse ou não. Para  resolvar o problema Tancredo Neves, deputado federal, resolveu o problema propondo o sistema parlamentarista,  que tirava de João Goulart os poderes como presidente. Até que dois anos depois,  ele resolveu fazer um plebiscito,  e por grande margem  de apoio, volta como presidente de fato e de direito. Até que sua reforma agraria, contraria a todos os latifundiarios. Vejam dai para frente o que aconteceu.

(Mario Lopomo)

 

POR QUE JOÃO GOULART CAIU

   
   

O SENHOR João Goulart perdeu o jôgo no momento em que, abandonando a tática da conciliação política, que prevaleceu nos dois primeiros anos de seu govêrno, preferiu comandar ostensivamente o esquema da esquerda radical que tinha numa entidade juridicamente ilegal, o Comando Geral dos Trabalhadores, o centro de suas atividades revolucionárias.

Chegando ao Poder pela sua extraordinária habilidade política, usada principalmente no amaciamento dos impulsos revolucionários do seu cunhado Leonel Brizola e de uma paciente e longa viagem da Ásia a Pôrto Alegre quando ganhou tempo para assumir de modo pacífico a Presidência vaga com a renúncia de Jânio, o Sr. João Goulart passou a estruturar um dispositivo de segurança baseado em alguns oficiais de sua confiança pessoal.

Êsse dispositivo teve que ser revisto mais de uma vez. As contingências do regime parlamentarista obrigaram o Presidente Goulart a manter no Ministério da Guerra o General Nelson de Melo, notòriamente anticomunista. Derrubado o sistema parlamentar de govêrno, através de uma intensa pressão política, sindical e militar, pôde, então, o Sr. João Goulart preparar o caminho para sua futura aliança total com as esquerdas.

A Marinha e a Aeronáutica passaram a ter, a partir do primeiro ano de govêrno presidencialista, comandos fiéis ao Presidente. O Ministério da Guerra foi entregue, então, ao General Amaury Kruel, amigo pessoal do Presidente mas oficial tão anticomunista quanto o seu antecessor na Pasta. O Sr. Leonel Brizola iniciou, então, e vitoriosamente, uma intensa campanha, pelo rádio e televisão, contra a permanência de Kruel no comando-geral do Exército.



Escrito por mário Lopomo às 22h58
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O General legalista Jair Dantas Ribeiro foi convocado para assumir o Ministério da Guerra. Construiu, então, um esquema militar inteiramente legalista e anticomunista, substituindo mais de cem comandos em todo o território nacional. Para manter, porém, um dispositivo militar esquerdista, fiel às reformas econômicas que propunha e à sua futura aliança com a esquerda, o Sr. João Goulart levou para a chefia de seu gabinete militar o General Assis Brasil. Aí começou a estruturação de uma ampla frente esquerdista, política, sindical e militar, sob a orientação política da Casa Militar da Presidência.

A um ano e meio das eleições presidenciais o Senhor João Goulart recusava-se a conversar sôbre a sua sucessão. O Sr. Juscelino Kubitschek, que seria o candidato natural do esquema governista, teve seu nome sumàriamente vetado pelas fôrças esquerdistas mais radicais, que obedeciam ao comando do Deputado Leonel Brizola. Deu-se o esvaziamento da candidatura Kubitschek e o crescimento da candidatura Lacerda, na área oposta.

As lideranças políticas, inclusive as mais próximas do Presidente Goulart, passaram a desconfiar das intenções continuístas do chefe trabalhista. O PSD não lhe dava cobertura parlamentar para as reformas. A UND liderava, no Congresso, a anti-reforma. Estruturava-se, assim, um dispositivo de defesa do regime democrático, que os principais partidos e vários governadores comandados por Adhemar e Lacerda puseram a funcionar inicialmente na área puramente política para, mais tarde, ganhar a consciência e o apoio das Fôrças Armadas.

O Govêrno fêz várias tentativas de contenção dêsse dispositivo oposicionista. Mal aconselhado tanto política quanto militarmente, o Sr. João Goulart contava, apenas, com apoios populares, suportes sindicais e sua intuição e habilidade política para sobreviver. A inflação se agravava, desmoronavam-se os planos administrativos do Govêrno. Necessário que o Presidente apressasse sua aliança com as esquerdas, passasse a comandá-las ostensivamente a fim de ocupar o espaço de tempo, os dois meses que separavam a primeira quinzena de março da oficialização da candidatura Lacerda, já marcada para princípios de abril. Com a candidatura Kubitschek já lançada pelo PSD, restava ao Sr. João Goulart fazer a sua opção: ou marcharia com ela, ou concentraria seus esforços para a esquematização de uma candidatura esquerdista com tintas democráticas. Êle desprezou a solução eleitoral e decidiu romper a barreira da conciliação política, indo ao encontro das lideranças identificadas com o pensamento marxista.

Estaria absolutamente convencido o Presidente Goulart de contar com apoios militares para essa jogada? Estaria certo que as fôrças militares dariam cobertura, ao menos parcial, às teses defendidas pela esquerda radical e comunistas no palanque armado em frente ao Ministério da Guerra no dia 13 de março? O simples fato da presença do General Jair Dantas Ribeiro naquele palanque não autorizava a ninguém a acreditar que Exército, Marinha e Aeronáutica estavam solidárias com a nova posição do Presidente da República.

A partir do comício do dia 13 radicalizaram-se as posições políticas e as Fôrças Armadas começaram a sensibilizar-se. O Decreto de desapropriações de terras, o do tabelamento dos aluguéis, o de encampação de refinarias de petróleo foram os dados menos importantes na crise que se armava. Para exercer a sua autoridade de Presidente da República e para tomar medidas administrativas até mesmo reformistas, o Sr. João Goulart contava, ao menos aparentemente, com a cobertura militar do esquema montado pelo Ministro Jair Dantas Ribeiro. Mas o próprio Ministro confessava, em conversas confidenciais, que não teria condições para mobilizar seus comandos no sentido de prestigiar uma solução golpista para o problema sucessório, nem de esquerda, nem de direita.

Na realidade - verificou-se mais tarde - O Presidente Goulart não tinha estruturado um dispositivo militar de esquerda, capaz de prestigiar sua aliança com os revolucionários. Se estava mal-informado pela sua assessoria militar chefiada pelo General Assis Brasil, não se sabe. Se agiu conscientemente, certo de que contaria com a cobertura popular para a sua ação, só êle poderá responder.

A verdade é que, a partir do momento em que consolidou sua liderança esquerdista, o Senhor João Goulart



Escrito por mário Lopomo às 22h48
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foi radicalizando sua posição política e arrastou suas teses para os quartéis. Do outro lado, as fôrças oposicionistas passaram da tática política para a estratégia militar. Construiu-se, ràpidamente um poderoso dispositivo militar inicialmente defensivo, para evitar que o CGT, a UNE, a Frente Parlamentar Nacionalista, os Comandos do Deputado Brizola, o Governador Miguel Arraes - o esquema da esquerda radical - pudessem dar solução prática às teses revolucionárias que defendiam.

De um lado, o Sr. João Goulart estimulou a reação de sargentos e praças, soldados e marinheiros à política tradicional das Fôrças Armadas, provocando um clima de indisciplina que se generalizou na Marinha sob a orientação do Almirante Aragão. A insubordinação de marinheiros e fuzileiros navais, e a solução dada pelo Presidente à crise na Armada, fazendo o Almirante Aragão retornar ao comando dos fuzileiros, pondo no Ministério um almirante identificado com o marxismo e designando o Almirante Suzano para o Estado-Maior - já encontravam, do outro lado, uma poderosa aliança de governadores do Centro-Sul, com cobertura militar do II Exército do General Kruel.

Há mais de dois meses que essa aliança estava sendo esquematizada. Ney Braga aderiu a ela quando da visita do Governador Lacerda a Curitiba. Adhemar, Lacerda e Meneghetti já estavam entendidos. Faltava a adesão de Magalhães Pinto. O próprio Lacerda a obteve, entregando ao Governador mineiro o comando-geral das fôrças democráticas. Mato Grosso e Goiás foram adesões que se fizeram naturalmente, devido à situação geográfica dos dois Estados centrais e da posição ideológica de seus governadores.

Quando o Governador Adhemar de Barros afirmava que tinha condições de reagir à investida esquerdista, não estava blefando. Quando os dirigentes da esquerda radical afirmavam que a revolução estava ganha e êles já se aproximavam do Poder, estavam mentindo. Não contavam as esquerdas com a opinião pública, e o esquema adversário era tremendamente mais poderoso.

O choque pareceu inevitável no momento em que o Presidente João Goulart resolveu tornar irreversível sua posição de comandante de um esquema mal estruturado, e baseado tão-sòmente na sua liderança popular e nas falsas lideranças sindicais comunistas. Quando falou a sargentos e marinheiros, no dia 30 de março, atacando seus adversários e mantendo sua determinação de ir mais adiante nos seus propósitos, o Sr. João Goulart fêz, definitivamente, sua opção. Preferiu contar com as fôrças populares que esperava se rebelassem em todo o País para enfrentar a reação política e militar ao seu nôvo govêrno, à quebra da hierarquia nas Fôrças Armadas e ao poder sindical representado no CGT.

Essas fôrças, porém, não foram suficientes para manter o Sr. João Goulart no Poder e garantir a sobrevivência de seu esquema político. Muito mais poderosas do que elas, melhor articuladas, e com apoio da



Escrito por mário Lopomo às 22h46
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 opinião pública do principais Estados do País, eram as fôrças contrárias.

O Sr. João Goulart marchou, então, para a luta, consciente de que contava ao menos com os trabalhadores mobilizados pelos sindicatos e com a lealdade dos chefes militares à autoridade do Presidente da República. Mas os sindicatos falharam totalmente na mobilização das massas operárias, e os chefes militares viram-se na contingência - cruel para êles - de sacrificar o mandato do Chefe da Nação para evitar a desagregação das Fôrças Armadas, a tomada do Poder pelo esquema esquerdista radical e, quem sabe, a guerra civil no País.

O General Kruel não desejava a deposição do Presidente. O General Jair nunca a desejou. Nem o General Âncora, nem o General Castelo Branco . O Comandante do II Exército chegou a sugerir ao Presidente, no momento em que suas fôrças se preparavam para marchar sôbre o Rio, que desarticulasse o sistema esquerdista, fechasse o CGT, normalizasse a situação na Marinha e êle, Goulart, contaria com o apoio das Fôrças Armadas. Mas o Presidente disse não. Não sacrificaria seus aliados, frase que repetiria, mais tarde ao Ministro Jair Dantas Ribeiro, quando êste lhe fêz idêntico apêlo. Estava o Presidente diante de uma opção que lhe era colocada pela quase totalidade das Fôrças Armadas: ou desarticularia o dispositivo de esquerda que passara a comandar, ou os generais teriam que tomar posição para defender a integridade do regime democrático que juraram defender.

Conscientemente, o Sr. João Goulart marchou para o sacrifício. Não recuou um passo, quando poderia ter declarado a ilegalidade do CGT, reformado o comando da Marinha e mantido a prisão do Almirante Aragão, decretada pelo Ministro Silvio Mota. E quando já se esperava o choque das fôrças do II Exército com as tropas da Vila Militar, que se mantinham fiéis ao Presidente, o General Jair - recusado o apêlo que fêz ao Sr. João Goulart - renunciou ao pôsto, deixando ao Estado Maior do Exército a decisão suprema. O Presidente pensou em resistir, mas nunca na Guanabara, onde os comandos militares agiam com extraordinária rapidez na mobilização de tropas e no encaminhamento de uma solução política para a crise.

Não tendo renunciado ao pôsto nos momentos decisivos da crise, o Presidente quis que se caracterizasse a sua deposição. Escolheu o seu caminho, quando teve todas as condições para contornar a crise no seu primeiro instante. Trocou o seu mandato pela liderança popular que espera exercer na faixa revolucionária que o Sr. Brizola ocupou sòzinho nos dois últimos anos.



Escrito por mário Lopomo às 22h45
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Fala aos sargentos:

Princípio do fim. João Goulart  substima a ierarquia militar, e vai ao clube dos sargentos e faz um violento discurso.

 

Perante mil sargentos das Fôrças Armadas e Auxiliares, o Sr. João Goulart, em violento discurso, pronunciado na noite de segunda, tornou irreversível sua posição de esquerda e desencadeou, graças a essa definição, feita em têrmos candentes, a movimentação das fôrças que o derrubaram. Consideraram os chefes da revolta que, transigir mais com a posição ostensiva do Sr. Goulart, seria decretar a morte da democracia. O discurso de Jango, a 30 de março, foi o comêço do fim.

Ênfase de Jango: ato final

NA OPINIÃO unânime dos chefes da Revolução Libertadora pela Democracia, a reunião a que compareceu o Sr. João Goulart na noite de segunda-feira, quando acesas estavam ainda as paixões ocasionadas pela rebelião dos marinheiros, foi a gôta d’água que fêz transbordar o copo. E que houve nessa reunião?

Há alguns meses a Associação dos Subtenentes e Sargentos da Polícia Militar do Ministério da Justiça (a que optou pelo serviço federal) convidara o Sr. João Goulart para se fazer presente à festa do 40.º aniversário da entidade, convite êste adiado, a pedido do próprio Sr. Goulart, para outra oportunidade. Sentindo, porém, o Presidente, que se avolumavam as críticas contra a sua orientação julgada quebrantadora da hierarquia e disciplina militares, principalmente no caso dos marinheiros chefiados pelo Cabo José Anselmo, quis dar uma demonstração de força e prestígio junto aos escalões menores das Fôrças Armadas, aceitando a homenagem que lhe seria prestada pelos subalternos sediados na Guanabara, que aceitavam a sua orientação. A reunião da ASSPM realizou-se, portanto, com oradores inflamados e com discursos que repisaram, invariàvelmente, a mesma tecla: reformas. E reformas nas próprias Fôrças Armadas. Chegou mesmo a ser vaiado o Sarg. Ciro Vogt, um dos oradores, que se atreveu a fazer reivindicações e agradecer ao Sr. Goulart benefícios prestados à classe dos sargentos. Foi vaiado porque, conforme declarou, respeitava os regulamentos disciplinares e se sentia impedido de fazer declarações políticas.

O discurso do Sr. João Goulart nessa reunião, realizada no Automóvel Clube, foi considerado pelos observadores como o mais violento de sua carreira, acusando seus adversários de subsidiados pelo estrangeiro e prometendo as devidas represálias do povo.

A exaltação do ambiente, carregada ainda mais pela presença de agitadores comunistas, atingiu o auge quando da chegada do Almirante Cândido Aragão e do Cabo José Anselmo, tendo-se ambos abraçado sob os aplausos gerais. Anselmo quis falar à fôrça na reunião, só sendo impedido por interferência direta do Gabinete Militar de Goulart.

Os chefes militares avaliaram a repercussão de uma reunião como essa, em que a hierarquia cedeu lugar a uma indisciplinada confraternização, e decidiram deflagrar a revolta. O discurso de Jango fôra o último pronunciado como Presidente.



Escrito por mário Lopomo às 22h40
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votar. Esse procedimento foi encarado como ofensa por alguns setores da vida nacional. Sete dias depois, no dia 19 de março de 1964, a liga das senhoras católicas realiza a marcha da família, com Deus pela liberdade, que envolveu milhares de pessoas, a maioria pertencente à elite. Com o apoio dos diários e emissoras associadas com a locução do apresentador e deputado Homero Silva. Essa marcha teve inicio na praça da Republica, vindo pela Barão de Itapetininga, passando pelo Viaduto do Chá, Praça do Patriarca, rua Direita, desembocando na praça da Sé, onde fica a catedral, tendo ali sido realizado uma missa e os discursos finais de autoridades e de vários setores da sociedade civil, incluindo políticos que sempre aproveitavam desses momentos para aparecer. Gente que nunca havia passado por certas ruas do centro da cidade, principalmente senhoras que andavam só andavam no banco traseiro de seus carros, não iriam fazer um tremendo sacrifício atenua. Tinham certeza que tal movimento iria ecoar no centro dos quartéis. Ficou claro ali, que os dias de presidente estavam se findando para João Goulart. Cujos militares já estavam de olho nos acontecimentos, principalmente com as andanças do mais alto mandatário do país. O presidente João Goulart, cometeu erros gravíssimos como a de participar de um almoço no dia 30 de março, organizado pelos Sub oficiais e sargentos no automóvel clube do Rio de Janeiro. Essa sua participação entre Sub oficiais e sargentos, era uma agressão à hierarquia militar, sem se importar nas conseqüências que poderia advir, foi dizendo: "Quero que estas minhas primeiras palavras sejam de agradecimento, pelas palavras de estima e de conforto e acima de tudo pelas palavras de solidariedade que acabo de receber nessa memorável assembléia de todos os sub oficiais e sargentos das nossas forças armadas". Daí pra frente à desordem e a indisciplina tomaram conta de tudo, e para completar a festa também os cabos e soldados resolveram mostrar sua força, reunindo-se no sindicato dos metalúrgicos do Rio de Janeiro, durante uma reunião dos marinheiros. Fuzileiros navais receberam ordem de seus superiores para intervir, foram lá e não prenderam ninguém, pelo contrario acabaram aderindo aquele movimento. Era a sublevação da ordem. Sendo assim, os chefes militares resolveram punir todos os sublevados. João Goulart que estava em viagem pelo Rio Grande do Sul, decidiu perdoar a todos, tornando a punição sem efeito, e ainda por cima, voltou ao Rio de Janeiro para participar da reunião com os punidos. Entre outras palavras disse: "Estava no sul quando soube duma crise que rompia na nossa marinha de guerra, desloquei-me imediatamente para dizer-lhes que, se erraram, tinham o direito de errar". E no dia 31 de março eclodiu o movimento militar. que tinha como lideres civis, Ademar de Barros governador de São Paulo, Carlos Lacerda, governador do estado da Guanabara, e Magalhães Pinto governador de Minas Gerais. Em São Paulo as emissoras formaram uma rede, cujo auditório central era o palácio dos bandeirantes, e quando veio a noticia da viagem do presidente para o Uruguai, ouve gritos de vivas, com alguém sabedor de que estava bem próximo dos microfones, gritava a todos os pulmões. "Viva o Brasil, viva Ademar de Barros o maior líder político do Brasil, de todos os tempos". Apesar da noticia de que João Goulart teria deixado o Brasil, havia resistência em vários estados, como no Rio de Janeiro, onde o governador Carlos Lacerda gritava por todos os poros.

-Venha Aragão, venha covarde que eu te mato com meu revolver.

Nos jornais as manchetes eram as mais variadas.

O ESTADO DE SÃO PAULO:

DEMOCRATAS DOMINAM TODA A NAÇÃO.

JORNAL DO BRASIL (RJ):

GOULART RESISTE NO SUL E O CONGRESSO EMPOSSA MAZZILLI.

CORREIO DO POVO (RS):

SUPERADA COMPLETAMENTE A GRAVE CRISE QUE DURANTE TRÊS DIAS ABALOU O PAIS.

O POVO (CE):

II E IV EXERCITOS APOIAM O MOVIMENTO MINEIRO.

FOLHA DE SÃO PAULO:

PETROBRAS SEM NENHUM COMUNISTA. " LIMPESA.’’



Escrito por mário Lopomo às 19h41
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. E no dia 28 de outubro acontecia aquilo que todos previam. Foi decretado o ato institucional n. 2. E o ministro da justiça Juraci Magalhães que tanto desmentia, enviava aos governadores telegrama nos seguintes termos: Comunico a vossa excelência que o presidente da republica, na condição de chefe do governo e comandante supremo das forças armadas, coesas na manutenção dos idéias revolucionários, tendo em vista que a revolução está viva e não retrocede, mas que agitadores de vários matizes e elementos da situação eliminada teimam em se valer do fato de haver ela reduzido a curto prazo o seu período de indispensável restrição a certas garantias constitucionais, ameaçando e desafiando a própria ordem revolucionaria; e considerando que o país precisa de tranqüilidade para o trabalho em prol de seu desenvolvimento e do bem estar do povo e que não pode haver paz sem autoridade, que é também condição essencial de ordem : bem como que o poder constituinte da revolução lhe é intrinco, não apenas para Institucionaliza-la, mas para assegurar a continuidade da obra a que se propôs, baixou o ato institucional n.2, pelo qual são feitas diversas emendas a constituição são editadas normas indispensáveis a salvaguardar do processo revolucionário. O texto do referido ato está sendo divulgado pela imprensa escrita e falada e será publicado hoje mesmo pelo diário oficial.

a) Juraci Magalhães, ministro da justiça.

Em resposta ao telegrama recebido, o governador de São Paulo, Ademar de Barros, fez expedir o seguinte texto: Acuso o recebimento de seu telegrama, em que v. Exa, teve a gentileza de comunicar-me haver o presidente da republica baixado o ato institucional n.2. São Paulo recebeu com serenidade as medidas adotadas pelo chefe na nação. Reina completa ordem em todo o estado, prosseguindo o povo em seu trabalho construtivo em prol da fortaleza da pátria. Neste momento em que estou recebendo a integra do mencionado ato. Renovo plena confiança de 15 milhões de brasileiros de São Paulo de São Paulo a missão patriótica do ilustre presidente Castelo Branco.

Respeitosas saudações. Ademar de Barros. Governador.

O governador da Guanabara Carlos Lacerda ouviu a fala do presidente do radio de seu automóvel, quando se dirigia ao palácio da Guanabara. Ao chegar ao palácio presidiu uma reunião da qual participaram o vice governador Rafael de Almeida Magalhães e secretariado. O governador Carlos Lacerda se recusou a dizer algo com referencia ao ato institucional baixado pelo presidente.

O governador Ademar de Barros recebeu a visita do jurista Gama e Silva (apontado como um dos autores do ato n.2) A saída do palácio Ademar disse em rápidas palavras que as medidas do novo ato, "deveriam ter sido tomadas nos dias 6,7 ou 8 de Abril de 1964.



Escrito por mário Lopomo às 19h31
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O ato institucional n.2 tinha 33 artigos, e os que mais chamavam atenção eram estes.

A constituição de 1946, e as constituições estaduais e respectivas emendas são mantidas com modificações constantes deste ato.

Os juizes federais serão nomeados pelo presidente da republica entre simples cidadãos indicados na forma da lei pelo superior tribunal federal.

As vagas de ministros serão preenchidas por brasileiros natos, com mais de 35 anos de idade, na forma seguinte: Três cidadãos de notório saber jurídico, reputação de base , com pratica de mais de 10 anos. Compete a justiça militar, na forma da legislação processual o processo de julgamento dos crimes previstos na lei 1.082 de 5 de abril de 1956. A eleição do presidente da republica e do vice presidente da republica serão realizadas pela maioria dos membros do congresso nacional, seção publica e votação nominal.

Os vereadores não perceberam remuneração, seja a que titulo for.

Os deputados ás assembléias legislativas não podem perceber, a qualquer titulo, remuneração superior a dois terços da que percebem os deputados federais.

O presidente da republica poderá decretar estado de sitio ou prorroga-lo por 180 dias, para prevenir ou reprimir a subversão da ordem interna.

Ficam suspensas as garantias constitucionais ou legais de vitaliciedade, inamovibilidade, estabilidade bem como os do exercício em função do tempo certo.

Aos membros dos legislativos federal, estadual e municipal que tiveram seus mandatos cassados não serão dados substitutos, determinando-se o "quorum"

Parlamentar em função dos lugares efetivamente preenchidos.

Ficam extintos os atuais partidos políticos e cancelado os respectivos os respectivos registros. Somente poderão ser criados municípios novos, depois de feita de forma cabal, isto é, viabilidade econômica- financeira perante a assembléia legislativa.

Fica estabelecido, a partir desta data, o principio da paridade da remuneração dos servidores dos três poderes da republica, não admitindo de forma alguma a correção monetária como privilegio de qualquer grupo ou categoria.

A primeira eleição para presidente e vice-presidente da republica e será realizada em data a ser fixada pelo presidente da republica e comunicado ao congresso nacional, a qual não poderá ultrapassar o dia 3 de outubro de 1966.

O presente ato institucional vigora desde a sua publicação, até 15 de março de 1967, revogadas as disposições em contrario.

Brasília, 27 de outubro de 1965.

144. da independência e 77. Da republica.

Seguem-se as assinaturas do exmo. Sr. Presidente da republica e exmos. Srs. Ministros de estado ao ato institucional n.2.

Dois dias depois de instalado ao ato n.2, o governador Ademar de Barros enviou o seguinte telegrama ao presidente Castelo Branco: "Reitero neste momento histórico da vida nacional o irrestrito apoio do povo e do governo de São Paulo a ação patriótica de v. Exa. Tenho certeza que o novo ato editado, entregue ao seu elevado espirito de critico é de integridade, e será como que o evangélico cívico da revolução inspirado pêlos princípios da justiça e pêlos altos ideais do momento redentor de 31 de março.

E conforme o relatório enviado por Mário Neiva Filho, nomeado diretor da radio nacional (RJ) no dia 2 de abril por Costa e Silva, elaboramos (...) com a colaboração, na qualidade de informantes, dos senhores César de Alencar, Hamilton Frasão e Celso Teixeira, a relação de todos aqueles que deveriam, como medida de segurança ser, afastados do serviço e das dependências da radio nacional. Desta relação constavam, entre dezenas de outros nomes os de Herivelto Martins, Mário Lago, Jorge Goulart, Vanda Lacerda, Dias Gomes, Nora Ney, Oduvaldo Viana, Paulo Gracindo e Jorge Veiga.

O jornalista Samuel Wainer, após ter tido seu jornal Ultima Hora depredado, perdeu seus direitos políticos e asilou-se na embaixada do Chile, onde declarou: "Mil e quinhentos jornalistas encontram se neste momento em situação difícil no Brasil. Há uma repressão metódica e habilmente dirigida contra a liberdade de imprensa no Brasil".

Depois veio o ato institucional n* 5, ai a coisa piorou. Mais tarde os ataques do terrorismo, os sequestros. Era o periodo mais sangrento do periodo revolucionario, estavamos no governo medici, que falava pouco e agia na moita. Para piorar para os rebeldes, foi destacado o delegado Sergio Paranhos Fleuri, um delegado que tartava de combater bandidos e chamado no desespero pelos militares deu conta do recado, e agiu  com todo rigor. Foi ele quem matou Marghela na alameda casa branca ( j.Paulista - SP). Para completar seu sucesso veio a grande traição de cabo Anselmo, o mesmo que deu origem ao movimento militar. Em troca de sua vida cabo Anselmo deninciou todos  os que estavam no Araguaia. e ali se deu um verdadeiro genocidio. A batalha estava vencida. Acabou as ações contra o governo. Mas os militares continuaram com as barabaries. Bastava alguem se chamado de comunista  para sofrer torturas  que culminou com a morte do jornalista Vladimir Herzog. Meses depois a morte do operário Manoel Fiel Filho. Quando o regime militar estava caindo de podre, a democracia veio. Por linhas tortas, mais veio. Foi através do colégio eleitoral. Método que os oposicionistas tanto combatiam.Tancredo Neves foi eleito. Mas quem tomou posse foi José Sarnei.



Escrito por mário Lopomo às 19h28
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