JUSCELINO KUBITSCHEK
PRESIDENTE DA REPUBLICA
De 31 de Janeiro de 1956 a 31 de janeiro de 1961

Juscelino e seu cumprimento formal.
Escrito por mário Lopomo às 18h30
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
JUSCELINO KUBITSCHEK
Juscelino Kubistchek, foi o presidente que mais democracia ofereceu ao povo.
O filho mais ilustre de Diamantina nasceu em 12 de setembro de 1902. Filho de João Cesar de Oliveira, um caixeiro-viajante e de Júlia Kubitschek (professora), estudou no colégio onde a mãe lecionava até entrar para o seminário.
Após mudar-se para Belo Horizonte a fim de continuar seus estudos, Juscelino formou-se em Medicina em 1927 em 1931, ingressa na Polícia Militar de Minas Gerais, onde alcança o posto de Coronel-médico e faz amizade com o político e futuro governador Benedito Valadares. No mesmo ano casa-se com D. Sarah Luiza Gomes de Lemos. Participa da Revolução Constitucionalista de 1932 em defesa do governo constituído, como capitão-médico da Força Pública. e durante alguns anos seguiu esta profissão.
Sua vida sofre uma grande mudança em 1933 quando Valadares é nomeado interventor federal em Minas Gerais e nomeia o amigo como seu chefe de gabinete. Inteligente e culto, Juscelino inicia sua vida política na Chefia de Gabinete do Governador Benedito Valadares
Seu primeiro envolvimento com a política ocorreu em 1934, quando foi nomeado chefe de gabinete do interventor federal em Minas Gerais, Benedito Valadares. No mesmo ano, elegeu-se deputado federal, cumprindo o mandato até 1937, ano que deu início ao Estado Novo.
Foi nomeado prefeito de Belo Horizonte em 1940 e começou a conquistar a projeção política que o levaria à Presidência da República quinze anos depois. Seu principal feito foi a construção do conjunto arquitetônico da Pampulha, num projeto do arquiteto, então iniciante, Oscar Niemeyer. Cumpriu seu segundo mandato de deputado federal a partir de 1945 e, cinco anos depois, foi eleito governador de Minas Gerais.
Em 1955 é candidato a presidente da republica, pelo PSD (Partido Social Democrático). A não ser em Minas Gerais, onde era governador, Juscelino era um emérito desconhecido no Brasil. Disputaria aquela eleição com pesos pesados da política brasileira. Adhemar de Barros pelo, PSP (partido social progressista) Juares Tavora UDN ( união democrática nacional) e outros menos cotados. O Brasil estava a um ano da grande tragédia da política, que foi o suicídio de Getulio Vargas. A UDN considerada uma das responsáveis por triste acontecimento, estava em baixa. Então fazia forte oposição a candidatura de Juscelino, que corria contra o tempo visitando varias cidades do Brasil
Mas havia restrição à candidatura de Juscelino, falava-se até em golpe por parte dos militares. Duvidava-se até da sua nacionalidade. Falava-se também sobre a nova geração de militares nas forças armadas que deseja pela espada moralizar a nação. Essa "nova geração" de militares que se referia à revista MANCHETE autora da denuncia , gravitava em torno da Escola Superior de Guerra. (ESG)
Comandada pelo general Juarez Távora. A onda de rumores "golpistas" aumentou em dezembro de 1954. Falava-se da existência de um documento dos chefes militares vetando a candidatura de Juscelino. O general Lott, ministro da guerra tentou por fim a onda de boatos anunciando que o exercito seria "uma espada neutra" não devendo usar armas contra as instituições democráticas. A eleição correu na mais perfeita ordem e Juscelino venceu com 3.077.411 votos, 36%. Isso foi motivo para os perdedores achar que tinham o direito de não deixar Juscelino tomar posse por não ter tido a maioria absoluta dos votos. Desencadeou-se uma violenta campanha por parte da UDN, tentando evitar a posse do presidente eleito. Carlos Lacerda colocava em manchete de primeira pagina em seu jornal, A TRIBUNA DA IMPRENSA. NÃO PODEM TOMAR POSSE, NÃO DEVEM TOMAR POSSE, NEM TOMARÃO POSSE.
A partir daí teve inicio uma violenta campanha de Carlos Lacerda, contra a posse de Juscelino.
Ademar de Barros terceiro colocado, disse respeitar o resultado promulgado pelo Tribunal eleitoral, dando Juscelino como vencedor daquela eleição, amenizando a crise politica. Juares Tavora o candidato derrotado da UDN, também era contra impedir a posse do eleito. Pois se isso fosse feito seria o mesmo que mudar as regras do jogo depois de ele ter começado. O presidente Café filho na madrugada de 8 de Novembro teve um problema vascular e ficou impedido de governar. Pela hierarquia o presidente da Câmara assumiu a presidência. Era Carlos Luz que também estava querendo impedir a posse de Juscelino. Tudo estava indo como a UDN queria. Para aumentar ainda mais a tensão política, morre o general Canrobert Pereira da Costa, a 30 de outubro, precipitou os acontecimentos. A beira do túmulo o coronel Jurandir Bizarria Mamede, faz um violento discurso, deixando nas entre linhas o recado que o general Lott, ministro da guerra não queria ouvir. Eis o que dizia Bizarria Mamede: - General Canrobert (...) Aqui estamos, camaradas e amigos do clube Militar à beira do seu túmulo recém aberto (...) Não será por acaso indiscutível mentira democrática, um regime presidencial que, dada a enorme soma de poder que concentra em mãos do executivo, possa vir a consagrar, para investiduras do mais alto mandatário da nação, uma vitória da minoria ? (...)
O general Lott presente ao enterro de seu colega de generalato, ouvindo aquele discurso inflamado empalideceu, e ficou com um nó na garganta. Aquilo era um apelo à sedição! Endurecendo as feições, escutou até o fim o discurso que o coronel Jurandir Bizarria Mamede pronunciava a beira do túmulo do general Canrobert. Urgia tomar decisões. O general Odylio Denis insistia que Lott usasse a força para colocar os rebeldes na cadeia e acabar com a crise. Apesar de militar Lott era totalmente contra dar um golpe de estado, mesmo que fosse para manter a democracia. Mas em seu quarto e relembrando o que dizia Bizarria Mamede, começou a perceber que se não tomasse uma decisão rápida, quem daria o golpe de estado seriam os militares que estavam do outro lado. Pegou o telefone de campanha e ligou para Denis. General estou disposto a acabar com essa crise já. Em poucos minutos 25 mil homens estavam nas ruas do Rio de janeiro. Tanques e com a ajuda da Marinha e da Aeronáutica a tentativa de golpe contra a posse de juscelino estava abafada. Os rebelados estavam em alto mar a bordo do navio tamandaré. Ouve quem ainda achava que dava para resistir. Carlos Lacerda achava que dava para chegar até Santos e contar com o apoio do governador de São Paulo Jânio Quadros. Foi quando o coronel Mamede tomou a palavra:
"Eu me submeto à decisão da maioria, mas me permito lembrar aos senhores que o Brasil
Escrito por mário Lopomo às 18h09
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
não vai acabar hoje. Se houver um derramamento de sangue, se houver a morte do presidente da republica aqui presente, será o germe da guerra civil que poderá durar anos. Nós fomos derrotados hoje, mas há um futuro pela frente"
Com essas palavras gelaram os ânimos de tantos quanto estavam lá. A 13 de novembro o Tamandaré entrou na Baia da Guanabara; a aventura estava terminada. No dia seguinte enquanto Carlos Luz pronunciava seu discurso na câmara em que denunciava o ato de força, mas submetia-se a nova situação, Carlos Lacerda se refugiava na embaixada de Cuba.
Na capital da Republica o presidente da câmara, Flores da Cunha, anunciou o resultado da votação da moção que declarava o Sr. Carlos Luz impedido de exercer a presidência da republica. 185 deputados votaram a favor e 72 contra. A mesma votação no senado. Deu 44 votos a favor da moção, e 9 contra. Dessa forma, o presidente interino da republica passava a ser Nereu Ramos. Presidente do Senado.

Henrique Dufles Teixeira Lott, Foi o responsavel pela posse de juscelino Kubistchek.
ENFIM, JUSCELINO NO PODER
No dia 31 de janeiro de 1956, o presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, eleito pelo povo, recebia a faixa presidencial das mãos do presidente interino Nereu Ramos. Em seu discurso de posse Juscelino reafirmava o seu desejo de fazer o Brasil crescer 50 anos em cinco. Também de fazer a mudança da capital do pais para o planalto central, projeto de muitos anos que ele poria e execução.
O tripé de segurança formado pelo ministro da guerra, general Lott, pelo comandante do primeiro exercito gen, Odílio Denys, e pelo chefe de policia do distrito federal, garantiram a ordem interna e a solução das crises militares através da cúpula hierárquica. Segundo analistas a estratégia foi manter do inicio ao fim de seu governo o general. Lott no ministério da guerra, inclusive a quem devia sua posse.
O grande apelo de JK, foi o otimismo desenvolvimentista emanado do programa de metas, cuja finalidade era modernizar o Brasil dotando o de industrias de base e de bens de consumo duráveis (como automóveis)
Realmente entre 1956 e 1960, o Brasil apresentou crescimento econômico marcante baseado na expansão da produção industrial. Nesse período a industria cresceu 80 % , a industria do aço teve uma das porcentagens mais altas 100 % e a industria mecânica 125 % , as industrias elétricas e de comunicação 38 %, e industria de equipamentos de transportes 600 % .
A taxa de crescimento real foi de 7 % ao ano, e aproximadamente 4 % per capita. O governo de Juscelino Kubitschek seguiu uma política de nacionalismo desenvolvimentista, acelerando a substituição de importações, com maior ênfase na criação de industria de bens e capital. Deu incentivo especial as firmas estrangeiras, encorajando-as a n trazer equipamentos industriais, através da instrução 113 da SUMOQ, baixada durante o governo Café Filho ( que isentava as firmas estrangeiras da necessidade de cobertura cambial externa para importar maquinaria, desde que estivessem associadas a empresas brasileiras).

A estratégia nacionalista - desenvolvimentista baseava-se em um apelo ao nacionalismo. Era o destino do Brasil, tomar o caminho do desenvolvimento
Esse novo nacionalismo abriu o país ao capital externo, promovendo a importação de industrias e tecnologia. Em fevereiro de 1956, duas semanas após sua posse, Juscelino enfrenta a primeira crise que serviu para testar a eficiência de seu esquema militar. Persistiam sérios focos de descontentamento entre os setores militares derrotados a 11 de novembro do ano anterior. Desse ressentimento nasceu à revolta iniciada em Janeiro, pelo major aviador Haroldo Veloso e o capitão aviador José Chaves Lameirão, confiantes de que antigetulistas da marinha e do exercito só esperavam a oportunidade para pegar em armas contra o governo. Os rebeldes deixaram na redação do jornal Tribuna da Imprensa, um manifesto denunciando supostos entendimentos do presidente com grupos financeiros internacionais para entrega de petróleo e minerais estratégicos. Juscelino foi pego de surpresa com o movimento de Aragaças, chegou a sentir um novo 24 de agosto. Mas a eficácia dos ministros militares fez com que tanto o movimento de Aragaças, como o de jacareacanga fossem sufocados.
O governo de Juscelino é marcado por varias crises sempre dominadas com habilidade, duas greves de transporte publico em São Paulo. Em março houve quebra em São Paulo, pelo fato de a CMTC aumentar os preços das passagens dos bondes.
Mas o desenvolvimento da industria de veículos motorizados, mais comunicações, estradas e frotas aéreas, correspondia aos anseios de expansão e renovação técnica de todos os militares, simpáticos ou não a política Juscelinista.
O famoso porta aviões MINAS GERAIS de segunda mão comprado aos ingleses, foi um presente caro que deu bons frutos. Com o porta aviões afirmava Juscelino, deixarei de ser inimigo da Marinha e ao mesmo tempo, serei esquecido pelos partidários do Brigadeiro (Eduardo Gomes) que de outra maneira, não me deixarão governar.
A compra do porta aviões, não ficou sem a sátira do cantor e compositor Juca Chaves.
BRASIL JÁ VAI A GUERRA, COMPROU PORTA AVIÃO / UM VIVA PRA INGLATERRA./ 82 MILHÕES./ HÁ... MAS QUE LADRÕES. Juscelino não gostou da brincadeira e processou Juca Chaves. Juscelino ia governando tendo que contornar crises, em 1957 foi à greve dos 400 mil trabalhadores que congregou seis categorias lideradas pelo presidente dos gráficos, Dante Pellacani, que também agitava a favor da futura dobradinha JAN JAN (Jânio-Jango) para as eleições presidenciais
Foi no seu governo que o Brasil foi campeão do mundo no futebol. Foram dias de grande ansiedade para o presidente, que ficava de ouvidos colados no radio, e ai de quem falasse em trabalho naqueles momentos, em que a bola rolava na Suécia. Quando os jogadores retornaram com a copa o marechal da vitoria Paulo Machado de Carvalho, chefe da delegação deu-lhe o gostinho de ver por momentos a Vênus de ouro tão cobiçada pelo povo a muitos anos. Mas o troféu que ele ganhou foi a bola que o goleiro Gilmar trazia nas mãos. A bola do jogo que o massagista Mário Américo, roubou do arbitro da partida, quando ele a, levava para o vestiário. Gilmar disse: Foi com essa presidente! Quando o calendário marcava 21 de Abril de 1960, Juscelino estava inaugurando Brasília, a capital da esperança. E no ano seguinte iria entregar a faixa de presidente, já na casa nova. O que realmente aconteceu. O presidente eleito era Jânio Quadros, que tinha serias divergências com Juscelino.

Em 1961, cartaz pede a volta do presidente na eleição seguinte, que acabou não acontecendo
Escrito por mário Lopomo às 18h01
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Juscelino era um político muito bem informado, sendo assim, ele já estava sabendo que seria cassado. Pois como presidente de muita popularidade seria um espinho na garganta dos militares, que tinham se apossado do poder.
Sendo assim ele se antecipou em fazer um discurso na tribuna do senado. Seria seu ultimo discurso, naquele 3 de junho de 1964.
Senhor Presidente
"Na Previsão de que se confirme a cassação dos meus direitos políticos que implicaria na cassação do meu direito de cidadão, julgo do meu dever dirigir, desta tribuna, algumas palavras à nação brasileira. Faço-o agora, Para que _ se o ato de violência vier a consumar-se _ não me veja eu Privado do dever de denunciar o atentado que na minha pessoa vão sofrer as instituições livres.
Comparo-o ao instante em que recebi a faixa presidencial, depois de luta sem tréguas contra forças de toda ordem, inclusive as da tirania que _em vão_ tentaram deter a vontade do povo brasileiro. Naquela ocasião, assumi perante a minha própria consciência a determinação de não me deixar guiar por ressentimentos ou mágoas, por mais justas que fossem.
Presidente da República, durante cinco anos, zelei pela paz do Brasil, não autorizando, não permitindo, não pactuando com qualquer atentado à liberdade de quem quer que fosse, e agindo sempre com dignidade administrativa.
Antes de tomar posse golpistas tentaram impedir que fosse empossado. Como presidente eleito pelo povo, sofri dois atentados, tentando tirar-me do poder, nem por isso derrubei a democracia.
Sou ainda o mesmo cidadão _ontem detentor do governo, chefe constitucional das Forças Armadas, aquele que amparou e promoveu os seus mais ferrenhos adversários. Hoje, sou um homem desarmado, sem possibilidades de reação material, mas disposto a reagir com energia, a determinação e a coragem para cair de pé.
Se me forem retirados os direitos políticos _como se anuncia em toda parte _ não me intimidarei, não deixarei de lutar. Do ponto de vista de minha biografia, só terei de me orgulhar desse ato. Lamento que muitos dos que estão me tirando o direito de cidadão livre na política , são aqueles mesmos, que outrora foram pedir favores, coisa comum nos políticos profissionais.
Essa tristeza nasce sem dúvida, de que, se por um lado, me oferecem a oportunidade de glória, por outro lado, ferem o nosso País, humilhado na minha pessoa a nossa civilização, degradando-a no conceito das demais nações livres e fazendo da revolução algo que merecerá o repúdio de todos os democratas do mundo.
Homem do povo, levado ao poder sempre pela vontade do povo, adianto-me apenas ao sofrimento que o povo vai enfrentar nesta hora de trevas que já está caindo sobre nós. Mas dela sairemos para a ressurreição de um novo dia _ dia em que se restabelecerão a justiça e o respeito a pessoa humana.
Estamos atravessando uma hora difícil, mas este é um País democrático, que repele os extremismos de qualquer natureza. Não nos julguem apenas por um ato é o que peço a todos os que nos contemplam de fora neste momento em que me elevam um pouco acima de min mesmo, pela discriminação do ódio, pela cegueira criminosa. Diante do povo brasileiro, quero declarar que me invisto de novos e excepcionais poderes, neste momento, para a grande caminhada de liberdade e do engrandecimento nacional."
Escrito por mário Lopomo às 17h56
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Vejam a sequencia de fotos de juscelino
Escrito por mário Lopomo às 17h26
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Nesta casa da rua São Francisco 241 em, Diamentina(MG) nasceu Juscelino Kubitschek, a 12 de setembro de 1902.
Escrito por mário Lopomo às 17h24
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
 Juscelino Kubitschek
Escrito por mário Lopomo às 17h21
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
 JK e Bernardo Sayão.
Em 1958, Bernardo Sayão foi encarregado por Juscelino Kubitschek de construir a estrada Transbrasiliana (a Belém-Brasília). Crendo que a construção de Brasília já se encontrava bem encaminhada, Sayão aceita dirigir pessoalmente as obras da rodovia. Porém, em 15 de janeiro de 1959, ocorre um terrível acidente: uma árvore derrubada, na abertura da estrada, cai sobre a barraca onde estava Bernardo Sayão, que é gravemente ferido. Ele morre no mesmo dia, dentro do helicóptero que o levava em busca de socorro médico.
Ironicamente, Sayão acabou sendo o pioneiro do cemitério de Brasília (hoje Campo da Esperança).
Em sua homenagem, a Belém-Brasília recebeu o nome oficial de Rodovia Bernardo Sayão.
Escrito por mário Lopomo às 17h20
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Os homens que construiram Brasilia

Niemayer, Israel Pinheiro, Lucio Costa e Juscelino
Escrito por mário Lopomo às 17h14
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
15/12/2005 19:11 - publicado por MARIO LOPOMO [ Alterar ] [ Excluir ]

Décimo Sexto Período de Governo Republicano 31.01.1956 a 31.01.1961
" Deste planalto central,desta solidão que em breve se transformará em cérebro das altas decisões nacionais, lanço os olhos mais uma vez sobre o amanhã do meu País, e antevejo esta alvorada com uma fé inquebrantável e uma confiança sem limites no seu grande destino”

Escrito por mário Lopomo às 17h12
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Brasilia o grande sonho de juscelino, foi inaugurado dia 21 de Abril de 1960. Este predio redondo é a catedral, uma das obras de Oscar Nyemeier. Jânio Quadros foi o primeiro presidente da republica a tomar posse em Brasilia. |
Escrito por mário Lopomo às 17h04
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Quando quizer se lembrar de JK, cantarole a musica que ele mais gostava.
PEIXE VIVO
Como pode peixe vivo, viver fora d'água fria, como pode peixe vivo, viver fora d'água fria. Como poderei viver, como poderei viver, sem a sua, sem a sua, sem a sua companhia !
fotos - google, e revista O cruzeiro.
Mário Lopomo
Escrito por mário Lopomo às 16h58
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
|
|
|
|
| Agora vocês vão ler a historia de uma menina que tinha a politica no sangue. |
Alzira Vargas: Profissão, Ativista.
O CASAL Osvaldo e Irene estavam prestes a ver o nascimento de seu rebento, havia aquela expectativa de que sexo seria a criança. E quando vieram as primeiras contrações estavam no dia 2 de outubro de 1950, véspera do dia das eleições em que o presidente da republica seria eleito. O casal Getulistas roxos, estavam propensos a colocar o nome de Getulio caso fosse um menino, dado o fanatismo deles adquirido de seus pais, por Getulio Vargas, figura que eles cultuavam devido as, historias que os mesmos contavam como sendo Getulio o pai dos pobres, e autor das principais leis que se tinha sido feito aos trabalhadores. No dia seguinte com toda a população participando da segunda eleição democrática, depois de 1930. Irene dava entrada na maternidade São Paulo da rua Frei Caneca, para colocar no mundo um rebento que cuidadosamente estava sendo tratado nas consultas pré natal do próprio hospital.
Quando Osvaldo depositava a cédula na urna com o nome de Getulio, vinha ao mundo uma menina. Que ao contrario de seu gosto, iria mudar o rumo da historia referente ao nome a ser escolhido. Até então só se pensava em um menino. Ai ele teve que mudar os plano de colocação do nome da criança. Quando Irene já estava em casa depois do repouso de um parto normal, que tinha dado tudo certo, eles iriam pensar em que nome dariam a garotinha de 49 cm, com 2,940 Kg e bastante cabeluda. Ambos babavam. Essa menina vai ser a mais bonita do mundo dizia Osvaldo, para o sorriso aberto de Irene.
-Olha querida, pelo jeito vai ser uma Vanp. Veja quanto cabelo ela tem. Mas, Irene já estava preocupada no nome da criança.
-Bem Osvaldo, e agora, que nome vamos dar a ela ?
-Olha, já que não podemos dar o nome do nosso novo presidente que tal, botar o nome de uma pessoa próximo a ele ?
-O de dona Darci por exemplo ?
-Não querida, acho a dona Darci muito paradona, quase não aparece.
-Penso no nome da filha dele, a Alzira, se você observar ela esta sempre próxima do pai. Você lembra daquela foto do Getulio saído do catete em 1945, quando ele foi deposto? Quem estava ao lado dele inclusive sorridente, era ela, a Alzirinha ! Penso que é o nome ideal para nossa filha.
-Osvaldo assino em baixo, pode registrar ! disse Irene sem pestanejar.
-Querida se nossa filha tiver um pouco que seja da característica da Alzirinha, será uma grande mulher, pode crer.
No cartório do registro civil do Jardim Paulista, estava sendo registrado, Alzira Vargas Mussomani, nascida as 18 horas da tarde do dia 3 de outubro do ano Santo, de 1950. Filha de Osvaldo Vechi Mussomani e Irene Tavares Mussomani. Ambos de nacionalidade brasileira.
Já na pia batismal estava Alzira recebendo a graça de Deus, sal, óleo. E... sendo assim eu, batismo em nome do Padre, do Filho e do Espirito Santo, dizia frei Bento, o pároco da Igreja Santa Terezinha situado na rua Tabapuã, Itaim Bibi.
Mas Irene estava preocupada. E sua preocupação ela comentava com o marido.
-Vado... Será que não vai ter problema colocar o nome de nossa filha, igual o da filha do presidente ?
Lógico que não. Se um dia o doutor Getulio souber ficará orgulhoso, pois é dela, que ele gosta mais. E depois outra. Nossa filha Não é, Alzira Dorneles. E sim Alzira Vargas Mussomani, ai já existe uma diferença para fins jurídicos.
Alzira era tratada como um bibelô, não só pelos pais, como também pelos avós, tios e quem mais aparecia, pois Alzirinha era uma tetéia. Com o passar dos primeiros anos Alzira já mostrava que era uma menina da pá virada. Fazia a maior algazarra por onde passava, em sua casa havia pouca coisa que não estava quebrada.
Eta menina levada diziam seus pais, sem nunca dar uma palmada. Quando Osvaldo e Irene se preparavam para ir ao trabalho tomando o café matinal, ouviam o repórter esso anunciar que o jornalista Carlos Lacerda tinha sofrido um atentado na madrugada daquele 5 de agosto. E nesse atentado quem tinha morrido era o major da aeronáutica Rubens Florentino Vaz. Um olhou para o outro e já anteviam que coisa boa para cima do presidente não viria. |
Escrito por mário Lopomo às 22h27
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
|
|
|
|
|
|
|
Pois Lacerda fazia criticas pesadas e a culpa fatalmente cairia em cima dele. Dito e feito no mesmo dia os udenistas colocavam a culpa em Getulio Vargas. A noite os dois jantando conversavam sobre esse terrível episódio.
-Não te disse Irene que a culpa cairia em cima do presidente? Era só o que faltava para colocar o homem para fora do palácio do catete! Esse bandido sim era que tinha que morrer, não o coitado do major, e ainda por cima pai de cinco filhos.
-Bem Osvaldo a mulher dele não vai passar necessidade, sendo ele militar, ela vai ter uma gorda aposentadoria até morrer. E se isso acontecer, os filhos receberão. E ate aposto que nunca se casarão para não perder a bocada.
Os dias se passavam e a agonia ia aumentando com o presidente recebendo as maiores calunias. Mas quando o presidente Getulio ficou-se sabendo que o chefe da guarda dele, Gregório Fortunato, era o mandante do atentado, ai que a coisa ficou feia.
Uma crise sem precedentes, na política brasileira depois do assassinato de João Pessoa que virou pretexto para o próprio Getulio fazer a revolução em 1930 depondo Washington Luiz.
O radio era o companheiro do casal atento ao que podia acontecer naquela confusão formada no palácio do catete com Getulio resistindo como podia a pressão dos oposicionistas para deixar o governo. E naquele dia 23 de agosto estava marcada a reunião ministerial onde seria discutido que rumo dar ao presidente para solucionar aquela crise política, e essa reunião transmitida pelo radio através de boletins direto do palácio do governo invadia a madrugada do dia 24, tendo o casal Osvaldo e Irene indo dormir.
Logo pela manhã, Osvaldo e Irene tomavam café para mais um dia de trabalho. Foi quando a característica musical do repórter esso dizia que haveria uma noticia em edição extraordinária. Atenção, atenção, o presidente Getulio Vargas acaba de suicidar-se em seus aposentos no palácio do catete.
Atônitos, os dois de cabeça baixa rezavam baixinho. O silencio foi quebrado por dona Laura. Como sempre toda espectaculosa gritava no meio da rua do Porto. Até quem morava, nas ruas Joaquim Floriano, João Cachoeira e rua da Ponte podiam ouvir seus gritos. Ele não suicidou! Ele não suicidou ! Mataram ele, mataram ele!
As bandeiras já estavam a meio pau, as aulas suspensas, e um silencio profundo com as emissoras de radio tocando Ave Maria de Gunô. E todo mundo esperando por mais noticias pelo radio, que era o único veiculo que se tinha como informação.
E na radio nacional do rio de janeiro em cadeia para todas as demais emissoras do país, Alzira
Vargas era entrevistada por Heron Domingues, e relatava os últimos instantes de seu pai. Eu estava no telefone falando com um militar sobre a historia de meu irmão Bejo que ter sido chamado ao galeão, para prestar declarações. Quando alguém me sacudiu por traz, gritando. Alzira! Seu pai. Alzira! seu pai. Sai correndo como uma doida e entrei no quarto, me atirei em cima de seu corpo, ainda com vida. Ele esboçou um sorriso e faleceu.
-Viu Irene, ate na hora da morte do pai, ela estava presente a ele. Vou ter orgulho do nome que demos a nossa filha. |
Escrito por mário Lopomo às 22h25
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Quando Alzirinha estava completando cinco anos a festança estava programada para a casa de dona Laura sua avó. Enquanto as mulheres faziam os preparativos para a festa, os homens assistiam ao jogo de futebol na TV Record com a transmissão de Raul Tabajara. Havia um espanto porque depois de mais de 45 anos de campeonato um time diferente passava a perna no trio de ferro do futebol paulista. Corinthians, Palmeiras e São Paulo.
Era o Santos F.C, que estava jogando com o Palmeiras e tinha jogadores completamente desconhecidos do cenário esportivo. Um tal de Urubatão. Álvaro, Ramiro, Zito e na linha de frente um centro avante goleador chamado Del Vechio, e um jogador de origem espanhola chamado José Macia, apelidado de Pepe.
Na grelha preparando uma sardinhada, estava o português Joaquim, feliz da vida porque na semana anterior o time do Santos que liderava o campeonato, tinha perdido da Portuguesa de Desportos, por oito a zero. Naquele domingo de festa para a família Mussomanni a derrota do Palmeiras jogava água no chope de Osvaldo, pois o Santos ganhava do seu Palmeiras de três a zero e Joaquim tirava um pelo com Osvaldo, palmeirense roxo, dizendo que se o Edmur não fosse tão fominha, a Portuguesa teria ganho do Santos, por dez a zero. Quando estava tudo pronto para o parabéns a você, e o corte do bolo. Eis que chega seu Alfredo Cunha, o professor, delegado e udenista, com seu ar imponente que teimava em discutir política com a família e vizinhos getulistas.
Seu Alfredo era o orador oficial de todas as festas que tinha no itaim. Alto, ereto, peito estufado, nariz empinado, seu Alfredo era o chamado dono do bairro, exibido, metido e outras cositas mais. No auge do discurso bastante inflamado, falando difícil e que pouca gente estava entendendo, Ele gesticulando bateu com a mão num copo que se espatifou no chão, mandando vidro para tudo quanto era lado. Túlio, irmão de dona Laura, bêbado que nem uma vaca, não perdeu a chance e mandou: Caiu, dana-se. Quebrou, foda-se!
Terminado o discurso, dona Laura getulista ainda de luto pela morte do presidente, instigava seu Alfredo. Aquele urubu filho da puta do Carlos Lacerda depois de matar Getulio, quis dar o golpe junto com Carlos Luz, para não deixar o Juscelino tomar posse. Mas só que dessa vez ele se deu mal. Ainda bem que temos homens decentes que nem o Marechal Lott, na esfera militar, que pôs ordem na casa. Quem fala sempre em democracia quis ser ditador, né seu Alfredo ? Mas seu Alfredo não deixava o assunto por conta dos outros.
-Sabe dona Laura as vezes para se firmar uma democracia é preciso ter uns dias de ditadura. Seu queridinho defunto ficou quinze anos como ditador e tivemos que aguenta-lo. Enquanto dona Laura e seu Alfredo discutiam na rua sobre os últimos acontecimentos da política, Osvaldo e Irene se recolhiam e Alzirinha estava num sono profundo.
Recostados no espaldar do sofá ouvindo o programa de radio FESTA NA ROÇA pela radio tupi, tiveram suas atenções voltadas para uma edição extra do repórter esso: Atenção! Atenção! Acaba de serem presos em alto mar no navio Tamandaré, os senhores Carlos Luz, presidente da republica, os ministros Prado Kelly, Marcondes Ferras, o coronel Bizarria Mamede do exercito, o almirante Amorim do Vale e o jornalista Carlos Lacerda.
Eles que tentaram dar um golpe de estado, para evitar a posse do presidente eleito a três de outubro, Juscelino kubistchek, foram presos por ordem do Marechal Lott. Com isso esta contornada mais uma crise na política brasileira.
Osvaldo abriu um sorriso maior que a boca. Até que enfim esse filho da puta do Lacerda vai sair de cena por um bom tempo. Seria bom que não volta-se nunca mais. Irene completou: Nada como um dia após o outro. A justiça tarda mas não falha.
Mais para frente quando Alzirinha já estava com seus 9 para 10 anos, brincava na rua com quem viessem junto dela. Quando estava com as meninas brincava de boneca, passa anel, peteca e outras coisas, quando estava no meio dos meninos jogava bola, pula sela, pega-pega. Osvaldo e Irene na janela observando a filha brincar eram todo sorrisos, e nem passava pela cabeça de ambos reprimir a filha por tal atitude dela na rua.
Osvaldo observava, dizendo a Irene: "Pelo jeito, essa menina vai acabar sendo uma nova Chiquinha Gonzaga." E poderá se dar mal se no futuro os nossos costumes não mudar.
Osvaldo a essa altura era sindicalizado e estava prestes a se candidatar a presidência do sindicato dos metalúrgicos de São Paulo. Ele era o cabeça de uma greve de muita durabilidade e por suas intervenções fazia com que 90% dos operários aderissem essa greve e foi se destacando como o virtual presidente do maior sindicato do Brasil, que era referencia para todos os demais sindicatos, quando das reivindicações salariais.
Irene era professora primaria da escola estadual Aristides de Castro e adversaria do diretor e professor Aurélio, que era da UDN e simpatizante do Brigadeiro Eduardo Gomes, adversário de Getulio por muitos anos. Alzirinha já estava na escola, e para não dizerem que ela seria beneficiada por sua mãe que lá trabalhava, foi matriculada no grupo escolar Martin Francisco na Vila Nova Conceição, não muito longe do Itaim Bibi.
Prestes a entrar no ginásio era uma boa aluna. Sua matéria preferida era historia. Talvez de tanto ouvir dos pais assuntos relacionados com a política. Dizia que quando fosse a faculdade ia fazer jornalismo. O Brasil estava a beira de um estado de nervos com muita coisa ainda acontecendo sob a forte emoção da morte de Getulio Vargas por suicídio. Ela na prova de historia tinha tirado a melhor nota fazendo um trabalho sobre a revolução de 1930, com ajuda de seus pais que tinham os fatos na ponta da língua.
Só não obteve a nota máxima porque erroneamente seu pai dizia que e revolução de 1932 era pelo fato de São Paulo querer ficar como estado independente, coisa que a professora corrigiu dizendo que a revolução era para que o Brasil tivesse uma constituição e nada mais do que isso.
Na corrigenda a professora escreveu: Não se deve colocar o fanatismo político acima da historia.
Coisa que enfureceu Osvaldo chamando a professora de uma grande vaca. No que Irene interferiu dizendo que uma educadora jamais poderia ser xingada dessa maneira. Nós somos a segunda mãe das crianças quando elas estão na escola, dizia Irene defendendo a sua categoria
Escrito por mário Lopomo às 22h16
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Em 1964 estando já fazendo o cientifico Alzirinha falava de cátedra sobre os acontecimentos que fervilhavam na política do Brasil. Principalmente defendendo a reforma agraria que estava sendo imposta pelo presidente João Goulart que era afilhado político de Getulio Vargas.
Participava das reuniões do comitê juvenil em prol do proletariado brasileiro, dando a entender que na sua veia estava o sangue político herdado dos pais. Achava que o presidente tinha mesmo que desapropriar as terras dos latifundiários que, as tinham só para investir e não plantar.
"Eu vou ser jornalista reafirmava ela em casa", para orgulho de Osvaldo e Irene. Dizia em alto e bom som que iria defender o Brasil contra o imperialismo norte americano. Quando viu o deputado federal Cunha Bueno dizer para Aírton Rodrigues no programa almoço com as estrelas, que não tinha fazenda alguma, e que, a que estava lacrada e relacionada para fins de desapropriação, era de outra pessoa que não ele.
Ela mostrou a primeira reação irônica. Político, é sempre político mesmo. Vagabundo mentiroso. Osvaldo aconselhava sua filha a nunca renegar a luta pela soberania brasileira e dos direitos humanos quando um colega estiver sendo expurgado de sua ideologia seja ela qual fosse.
-Filha. Ideologia não se consegue ouvindo conselhos dos outros, ela é nata, dizia seu pai, respeite sempre as opiniões alheias, defenda a sua com unhas e dentes, mas saiba que as opiniões dos outros tem que ser respeitadas.
No comício das reformas de 13 de março de 1964, na central do Brasil, (Rio de Janeiro) Alzira ficou a frente da TV assistindo aquele comício tão aguardado e divulgado até em demasia.
Prestava atenção nas palavras do presidente, e de olho na beleza da primeira dama Maria Teresa Goulart, ainda uma jovem com seus vinte e poucos anos. Um dia serei tão importante quanto ela. Pensava.
Uma semana depois na passeata da elite paulistana organizado pela liga das senhoras católicas, A MARCHA DA FAMILIA COM DEUS PELA LIBERDADE, na praça da Republica, lá estava ela com seu grupo de colegas do curso ginasial, fazendo barulho a favor das propostas do governo, diziam gritos de guerra contra os latifundiários, ofendiam as mulheres da elite paulistana, como carolas que viviam na barra da batina dos padres. E que elas eram a favor da opressão contra os camponeses. Dizendo em alto e bom som, que a escravidão tinha acabado somente no papel. Por isso não queriam a reforma agraria.
Tudo isso sob os olhares firmes da Força Publica, que apenas policiava, mas não intervia, porque o Brasil ainda estava na democracia. Uma democracia já em declínio e bastante conturbada. Quando estourou o golpe militar no dia 31 de março, Alzira, já se mostrava exaltada com aquele estado de coisas. E a medida que os acontecimentos iam sendo divulgados percebeu que muitos políticos que ela imaginava com quem os estudantes podiam contar, estavam em cima do muro esperando o primeiro de abril chegar para se debandar para o lado mais forte. E que seria o regime de força.
A ordem de muitos que até então estavam ao lado de João Goulart e Leonel Brisola, diziam: "Manda quem pode, obedece quem tem juiso".
Alzira viu João Goulart ser deposto, como seus pais haviam visto Getulio também ser. E sabia que quietos eles não estavam. Somente não sabia por onde os pais andavam, pois optou em morar numa republica de estudantes para se adaptar a morar no CRUSP, quando para lá fosse.
Como o local era reservado a alunos do interior. Já tinha dado um jeitinho. Pegou uma conta de luz dos avos, que moravam em Piracicaba e já se dizia interiorana. Mas ficava a imaginar por onde será que andam meus pais ? Em casa assistindo novela, sei que eles não estão, pensava ela. Bem domingo vou fazer uma visita a eles.
No ginásio já realizava reuniões com seus amigos, Os mais chegados a ela eram , o Franklin, Fernando e o Saverio, os demais faltavam mais do que deputado na câmara. Formaram o clube dos jovens em prol da democracia. Quando não estavam falando em política, faziam planos para a entrada para a faculdade e o negocio era entrar para a USP.
Fernando era o que mais sonhava com essa possibilidade, e dizia a Alzirinha: "Si se a gente entrar na USP, vamos ficar no prédio do CRUSP, vamos transformar aquilo no beco de resistência contra a ditadura".
-Meu, já estou com a conta de luz do meu avo aqui, para garantir moradia lá. Fernando ria e dizia a Franklin:
-Fran essa menina é fóda !
Todos estudavam com apego para entrar na maior universidade do Brasil. E nas provas de seleção do Cecem, Cecéa, e Mapofei, os quatro tinham sidos aprovados, e a USP, já era uma realidade.
No inicio do ano lá estavam eles. Franklin já foi dizendo: Meus, vamos nos unir, parece que a coisa não é muito boa para os novatos. Vai ter peruada, e os calouros vão ter que pedir esmolas para alguns vagabundos tomarem cervejas. Temos que engolir uns sapinhos para nos enturmar.
Tem muitos cachorros que só vem para zoar. E por falar em cachorros, aqui a briga, é de Cachorro Grande. No caso de pessoas da nossa linha de pensamento, temos que pesquisar para ver em quem podemos confiar. Já estando Alzira na faculdade sua ideologia era de cor vermelha e aos 18 anos de idade fazia passeatas pintava os muros com... abaixo a ditadura, fora milicos! Participava das reuniões clandestinas da UNE, (união nacional dos estudantes).
Um dia veio a noticia da prisão de seu pai pelo Dops, estava ele numa reunião do sindicato. Soube que sua mãe havia escapado da policia quando de numa reunião do Centro do Professorado Paulista e estava em local incerto e não sabido.
Qualquer reunião sempre tinha um olheiro penetra para dedar as forças de segurança para realizar prisões. Tudo ficou mais difícil quando terroristas jogaram um furgão carregado de bombas no quartel geral do segundo exercito no Ibirapuera. Nessa ação morreu o soldado do exercito Mário Kossel Filho, de 18 anos estraçalhado pelo estilhaços das bombas.
Escrito por mário Lopomo às 11h26
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Daí para frente a coisa esquentou de vez e de prisão em prisão as pessoas iam desaparecendo. No crusp onde estavam os apartamentos, eles colocavam nas portas cartazes dizendo que ia ter baile da jovem guarda para despistar as forças de segurança de que ali não era um aparelho de gente do contra do regime militar.
Mas na verdade reunião tinha todo dia. Escreviam em códigos, quando tinha a palavra jovem depois do show, o papo era na própria USP. Quando a palavra era Babolina a reunião tinha outro endereço e logo todos saberiam, quando alguem fazia miado de gato era que tinha algum colega sendo torturado pelas forças de segurança. Estavam preparando o trigésimo congresso anual da UNE, que estava proibido pelo governo.
Mas essa reunião sairia de qualquer jeito ou não me chamo mais Franklin. Dizia o mais entusiasmado membro da organização que sem querer, era o líder da turma, pois alem de autentico intelectual era de uma estratégia a toda prova.
Eles receberam uma comunicação que veio do presidente nacional da UNE que estava acertado que a reunião seria em São Paulo, só faltava o lugar a ser definido. Alzirinha se antecipou, dizendo: Tenho um amigo que tem um sitio em Ibiuna, lá é legal porque estaremos longe uns 50 quilômetros da capital e os milicos jamais vão descobrir. Vamos esperar o Waldemir chegar para acertar esse detalhe, dizia Franklin.
Se o Zeca não meter o bedelho e não der o contra, tudo ficará melhor. Esse engraçadinho e conquistador barato é inimigo do Waldemir, e da sempre o contra, pensa que por que é presidente da U.E.E, pode subir nas costas do presidente da UNE.
Saverio aproveitou o embalo para perguntar: Alzira é verdade que ele esse Don Juan de porta de cinema te deu uma cantada ? ele vive se gabando que come todas as menininhas da faculdade.
-Bem, ele veio com gracinha pro meu lado e eu o chamei de conquistador barato, e Don Ruam de porta de cinema, ai ele nunca mais olhou para o meu lado. Não passa de um coitado, tem um jeitão de viado.
-O Zeca sempre pensou que era o tal. Só porque preside a UEE, pensa que é rei. Diz a todo mundo que come todas as menininhas da USP, mas na verdade, há contestação. Não passa de um vagabundo que vive nas costas dos trouxas que fazem vaquinha para ele sobreviver, desde os tempos que se considerava veterano, judiando de quem estava entrando para a faculdade.
E quando Alzira foi para seu apartamento dar um descansada. Saverio Aproveitou para jogar o verde e colher maduro.
-Franklin fala verdade: Essa Alzira, é bem gostosa não?
-Isso todos nós sabemos. Agora vai dar uma cantada nela, para ver o que sobra para você ! Se não quiser queimar o filme, fica na sua, que é bem melhor. Essa garota é uma fera, sua ideologia está acima do sexo.
Estava tudo pronto para o trigésimo congresso da UNE. Tudo bem planejado. Determinados elementos ficariam próximos ao portão do sitio para, em qualquer eventualidade, avisar de algo estranho que pudesse aparecer. Mais dois ou três ficariam em cima da caixa da’gua, para ter uma visão melhor. Tudo estava bem organizado e dificilmente daria errado e dali sairia os próximos lances contra o governo.
Mas precisava abastecer o sitio de mantimentos para suprir aproximadamente 700 pessoas.
Para o centro da cidade foram alguns carros com ate mais de três pessoas, o que chamou atenção dos moradores daquela pacata cidadezinha a poucos quilômetros da cidade de São Paulo.
Sem perder tempo os moradores chamaram a policia, que a principio pensou tratar-se de trote. As forças de segurança sabiam que os estudantes fariam o congresso em algum lugar. Só não sabiam onde e quando. Mas pelo sim, pelo não, mandaram viaturas que comprovou a veracidade da denuncia. Em poucos instantes, o reforço foi enviado, pela policia civil e agentes do DOPS que foram para o local e prenderam todos.
Vários ônibus foram enviados para levar os estudantes para o DOPS. A maioria foi liberado mas os chamados cabeças ficaram presos. Aqueles mais conhecidos. Entre eles, Valdemir, e Zeca. Alzirinha como tinha ficha limpa e não tinham conhecimento de uma atividade mais pesada, foi liberada. Mas os chamados lideres como os presidentes da UEE e UNE ficaram em meio a centenas de presos que já estavam mofando nas masmorras do exercito.
Para completar a desgraça um deputado engraçadinho fes um discurso violento na câmara dos deputados o que complicou mais ainda a situação. Dizia o deputado. Quero que todos os brasileiros não compareçam ao desfile de sete de setembro, para boicotar esses impostores que se apossaram do poder. E também que as formandas não convidem cadetes para paraninfos. Franklin botou as duas mãos a cabeça.
-Puta cara louco, agora nos estamos fudidos. Os caras não vão deixar barato. No dia seguinte o Brasil estava sob o ato institucional numero cinco. Para revolta deles quem redigiu o texto foi o ministro da justiça Gama e Silva, um civil. Porra justo o José foi fazer isso? É xará nunca se esqueça que ele é ministro da justiça e estando no meio dos milicos, até se esquece que é civil. Agora é que vamos se foder de verde e amarelo. Quando os três estavam se lamentando do Ai-5, surge Alzira, vindo da rua Maria Antonia, onde o pessoal da filosofia estava em guerra contra os alunos do Mackensie. Sabe quem eu encontrei pessoal. Já sei papai noel, brincou Saverio.
-A vai a merda porra. Agora não é hora para brincadeiras. Foi a
Katia ela quer entrar para o nosso grupo. Não esta contente com a ALN, esta tendo uma disputa de poder dentro da organização tem gente querendo passar por cima do Marighela, na organização. Tá uma puta encrenca no pedaço. E ela esta se sentindo bastante pressionada a mudar a cabeça de um deles.
Escrito por mário Lopomo às 11h23
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
Agora ela está se aproximando de um cara que ela conheceu em Osasco durante a greve dos metalúrgicos. Ela gosta muito dele amigo. É um capitão do exercito, que virou para o lado oposto da ditadura. Ele dava aulas de tiro na cidade de Deus. Dizem as línguas que cada tiro dele é um tombo do adversário. Arregimentou uns caras bons de tiro e vão para o pau. Franklin, a katia põe a mão no fogo por ele. Ele disse a ela que viu um colega surrar um preso ate ele desmaiar.
Ficou tão nervoso que não voltou mais ao quartel do IV-Ri, em quitauna. Foi lá uma vez só e para roubar armas e munição do paiol. Esse cara vai dar muita dor e cabeça aos seus ex. colegas, pode crer. Franklin.
-Acredito. Tem muita gente no meio dos milicos que não admite o que esses caras estão fazendo com o povo. Mas não podem falar nada senão... tão fudido. Conheço um milico que está lotado na telefônica. Não faz nada lá, ganha um belo salário, mas não gosta nada do que tem visto por lá. Ele costuma dizer que os milicos tem corpo de elefante e cabeça do tamanho de uma laranja.
No dia seguinte Alzira estava bastante triste. Veio a noticia da prisão se seu pai. Foi através de um amigo lá do sindicato que ela ficou sabendo detalhes da sua prisão. Dizia esse amigo: Estávamos no ultimo dia de assembléia para chegar-se a um acordo ou não, sobre a aprovação do índice percentual de aumento. A categoria estava dividida, tinha os que eram a favor do Joaquinzão, e os que eram do contra.
Lógico que seu pai era da turma dos contra. Afinal o Joaquinzão tinha sido nomeado pelos militares para presidir o sindicato.
Tinha os que eram a favor, como tinham os do contra. E também os de cima do muro, que ficavam só a espreita. Quando a assembléia entrou para agressão mutua, ai tudo terminou ali, e houve muitas prisões. Quem estava do lado dos milicos foram liberados, a cada meneio de cabeça do Joaquim.
Os demais foram presos. E seu pai estava ao lado dos demais. Segundo soube tomou um puta pau, que disse até o que não sabia. O pior de tudo é que os metalúrgicos tomaram no rabo. Um dissídio que poderia sair a 30% de aumento, ficou com 21,75%, como castigo do ministro do trabalho, Jarbas Passarinho. Os marceneiros que numa boa entraram em acordo com a classe patronal receberam 32%. As vezes ser carneirinho numa situação dessas vale a pena.
Outra noticia para Alzira. Agora era sobre sua mãe. Ela estava escondida no centro do professorado paulista, mas a coisa estava apertando tinha rato rondando o pedaço e começaram a desconfiar que logo ali seria invadindo, dizia uma professora que conseguiu escapar da prisão por se esconder no bueiro. Sabe Alzira, ela foi para o colégio dos capuchinhos ali na perdizes que achava que era mais seguro. Mal sabia ela que o Fleury já tinha informação de que ali era um foco subversivo. Ele ficou sabendo através de uma puta que trabalhava no Lali Corni. Onde ele ia todo dia enxugar uma garrafa de uísque de graça, oferta da casa. Com ela foi também foi presa uma madre que tinha escondido de baixo de sua vestes um bilhete subversivo que ela pegou da mão de um aluno do colégio Marista, para que ele não fosse preso como subversivo. Coitada era uma santa, todos gostavam dela e a respeitavam muito.
1968, estava chegando no fim, estavam eles trancados num aparelho com o radio ligado, pois um milico iria dar um feliz ano novo ao povo, por isso a TV estava desligado. Ver gordo fantasiado de verde oliva, era o que eles não queriam. Então estavam ligados no radio. Sabe o radio tem uma vantagem, não tem imagem, portanto se algum deles vier ai falar algo, a gente ouve e faz uma imagem qualquer dele. Pelo menos não ficamos privado de noticias.
E naquele dia 31 de dezembro de 1968, o Repórter Esso que era o noticiário mais ouvido, e mais ágil em dar noticias. Seu slogan de muitas décadas. O PRIMEIRO A DAR AS ULTIMAS. E entre as ultimas noticias estava a noticia do ultimo dia do noticiário do repórter Esso. Com uma emocionante leitura do texto pelo locutor Roberto de Oliveira, que chorando quase não termina de ler o texto.
-Alzira com lagrima nos olhos dizia, quanta coisa termina num só ano. E que praticamente não terminou. Para mim, faltou 18 dias.
1969 começou da mesma forma que terminou a ano anterior, tudo na mesma. Os milicos dando cartas e jogando de mão. Costa e Silva dizendo que vai abrir, não se sabe bem o que. Talvez uma garrafa de champanhe. Mesmo porque jogo e bebida é com ele mesmo. Tudo ia muito bem o Brasil estava indo bem nas eliminatórias da copa do mundo, o homem ia indo a lua.
A seleção brasileira avançava cada vez mais nas eliminatórias.
Domingo, dia 31 de agosto de 1969. Um domingo bastante esperado pela torcida brasileira. Nesse dia o selecionado brasileiro iria jogar a cartada final para ver se ia participar da copa do mundo de 1970. O Paraguai era o adversário. Mas essa expectativa foi substituída por uma grande apreensão. Não se sabe como vazou a noticia da morte do presidente Artur da Costa e Silva. As emissoras de radio e televisão não podiam divulgar a noticia por ordem da diretora da agencia nacional que transmitia a voz do Brasil.
A verdade é que a boca pequena muita gente estava sabendo na feira de moema a tia de Saverio, ouviu na barraca de pastel a conversa e foi até a USP e contou para ele que reunido com seus colegas discutiam a suposta veracidade dos fatos. O que será que aconteceu perguntava em tom preocupado Frankin, será que algum bosta de terrorista se precipitou ?
-Que nada Franklin, argumentava Alzira, você pensa que é fácil entrar dentro do palácio ? Vai ver foi algum neguinho lá de dentro mesmo que fez a fessaria ! Você lembra da morte do Castelo Branco ? Você acredita que aquele supersônico dirigido por um aspirante da aeronáutica passou por acaso na hora que o teco-teco do Castelo passava ?
-Vai ver que sim Alzira, ele pediu para o piloto mudar a rota para ver a usina elétrica que ele tinha construído. Argumentou Franklin.
-Sei lá para mim foi alguém lá de dentro que mandou fazer o serviço.
- Meu bem, o Castelo Branco se comprometeu com os lideres civis da "revolução" de devolver o pais a democracia em pouco tempo. Apesar de militar, Castelo Branco era um homem correto e de palavra.
Mais uma vês a mãe do Saverio foi levar um jornal (Jornal da Tarde) para eles ficarem a par dos acontecimentos.
Escrito por mário Lopomo às 11h20
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
E para surpresa de todos . Uma nota dizia que uma estudante que era ligada a Aliança Libertadora Nacional, mandava uma carta aos militares criticando duramente Carlos Marighela. O texto era este:
Rio. 22 de outubro 1969. Exmo. Sr delegado do DOPS.
Pode ser surpreendente ao senhor receber esta carta e seu conteúdo, mas minha dignidade como mulher trouxe-me a este ponto onde preciso trazer a sua atenção uma coisa de maior importância tanto para os senhores como para mim.
"Eu uma universitária consciente do drama que vive o povo brasileiro, aderi por vontade própria ao movimento presidido por Carlos Marighela. Eu acreditava que fazendo isso aliviaria um pouco do sofrimento do povo e ajudaria a minha pátria a alcançar uma vida melhor. Acreditava na esquerda sendo doutrinada por minha amizade revolucionaria, mas resultou que fui uma menina ingênua e crédula a acabei sendo explorada por Marighela .
Não só como colega revolucionaria tambem como simples mulher. Depois descobri tarde demais, que ele tinha zombado de mim, e quando tentei discutir com ele sobre isto, e persuadi-lo a fazer-me justiça". Ameaçou-me de morte caso eu mencione alguma palavra sobre certas coisas que a mim vim a saber dele.
Por isso vejo-me obrigada a escapar da fúria dele, a abandonar minha família, meus estudos e minha pátria. Mas antes de largar minha vida, tenciono revelar a verdade sórdida sobre Marighela, que tem desencadeado uma onda de terror não só contra o governo e o povo do Brasil, mas também até contra os próprios movimentos que não aceitam cegamente suas ordens ou de alguma maneira trazem-lhe suspeitas.
Ele desencadeou este terror no nome da revolução, mas sei por conta própria que os atos de terror que ele determina são meramente para satisfazer seu caráter sanguinário e avarento. Para mostrar a corrupção dele em matéria de dinheiro, estou mandando-lhe os originais, de dois documentos que provam ter, roubado dinheiro acumulado pelos seus seguidores idealistas como eu, que correram grandes riscos pessoais para obte-lo.
Quando descobri que tinha aberto pelo menos 4 contas em bancos da Europa e que tinha escondido somas maiores que as de Jorge Medeiros Valle, revoltou-me a hipótese de estar sendo usada e de estar servindo de instrumento a seus desejos pessoais. Resolvi separar-me do movimento, e tambem tornar publico que esconde dinheiro usando uma rede de colaboradores tais como Eurico Donatti e um francês chamado de Petit que tem acesso as suas contas secretas na Suíça.
Seu sócio nestes atos nefastos, tanto como crimes de violência, é Joaquim Câmara Ferreira, que talvez use o nome de Fernandes para suas transações ilegais.
"Estou convencida que a hora chegou para expor a desonestidade de Marighela e para mostrar a seus seguidores enganados, o cinismo que caracterizou suas relações com eles nos últimos anos. Quero leva-lo e a seus guarda costas a justiça. Quando isto for feito será de novo seguro para eu retornar a minha casa, e então pedirei ajuda aos senhores". Como minha vida corre, mais risco do que antes, deixo com um amigo, em quem confio, copias desta carta e outros documentos, relacionados ás transações Suíças.
Pedi a este amigo que faça publico todos esses papeis, caso aconteça coisa a mim, então terei minha vingança cumprida. "comunicando de novo com os senhores.
meu nome é Heriqueta Pestana
O verão de 1969 estava a pleno vapor, o calor que fazia logo no inicio de novembro já antevia isto. Muita gente nas calçadas conversando sentado em suas cadeiras. Isto é, quem podia. Pois muita gente tinha até medo de ficar na calçada. O reduto das fofocas era o Bar Deixa de Onda na Vila Olímpia, já que onde se fazia isso com muita vontade era na galeria metrópole próximo a biblioteca municipal estava sendo vigiadas por muitos "gansos" ávidos por levar noticias as forças de repressão, para ficarem em dia com suas futuras promoções principalmente os aspirantes a tenente.
Quando tudo estava numa boa com todo mundo deitando copos de cerveja para aliviar o calor, eis que chega Katia todo esbaforida, e ofegante pela corrida que teve que fazer para dar a noticia bombástica.
-Gente... mataram o Marighela lá na Alameda Casa Branca.
-Como foi isso ? perguntou Franklin.
-Foi uma cilada que fizeram com ele. Prenderam os padres capuchinhos lá nas perdizes. Deram uma prensa no padre Ivo que tinha um encontro marcado com Marighela. Eles sabiam disso por ligações de escuta clandestina me parece. Então fizeram o padre Ivo marcar o encontro como se nada tivesse acontecido. Marighela nem percebeu a trama quando chegou no ponto marcado, mal ele desceu do fusca dele, foi fuzilado impiedosamente. Fleury estava com uma moça fingindo ser sua namorada, e covardemente matou nosso amigo. A moça também morreu por não se jogar no chão como estava combinado com o Fleury. Ela foi morta por alguém que vinha dando cobertura a Marighela, ou talvez pelos tiros dos próprios membros de segurança. Mais acima no cruzamento com a rua Maria José Lisboa ouve outro tiroteio. Mas desta vez foi um passante, dizem se tratar de um alemão que se assustou com tantos tiros, e também foi fuzilado por não respeitar o bloqueio.
Alzira se pôs a olhar para o chão como se estivesse rezando, ouviu-se apenas um sussurrar. Coitada da Clara, como deverá estar ela agora. Ela sempre segurou o Marighela, para ele não se expor muito. Ela sempre foi uma esposa dedicada e acompanhava pari passo sua ideologia.
-Era muito difícil segura-lo por muito tempo dentro de casa. Dizia Franklin. Ele gostava de fortes emoções, ia sempre na banca de ler as manchetes dos jornais para ficar a par do que estava acontecendo e deu nisso. Franklin, Bastante pesaroso ficou mudo por alguns instantes e, pôs - se a pensar nos padres capuchinhos.
-Aqueles caras não iriam falar nada a toa. Eles devem ter sido muito pressionados quando da invasão do convento.
Katia interrompeu o colega para dizer. Pressionados só ? Eles apanharam pra caralho! Eu fiquei
Escrito por mário Lopomo às 11h17
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
sabendo que o padre IVO, estava todo inchado de tanto apanhar. O milicos não deixaram ninguém chegar ate ele. Mesmo seu advogado não pode entrar. Somente foi permitido um membro do alto escalão da igreja a vê-lo. Acho que foi Dom Paulo. Ele ficou horrorizado com a cena que tinha visto e disse mais ainda. Padre Ivo chegou a cortar os pulsos para não contar nada. Muita coisa que os jornais estavam divulgando não era bem a verdade. Jamais padre IVO iria delatar seus amigos.
-Sim, mas ele marcou o encontro com o Marighela, disse Saverio, dizendo que o padre também não era aquele santo tão forte. Foi quando Franklin que era bastante calmo, se exaltou pela primeira vez.
-Meu ! Você já foi torturado alguma vez ? Saverio ficou sem saber o que dizer, baixou a cabeça e continuou a ouvir seu companheiro.
-Na certa foi o único ato que padre IVO fez, porque os milicos já sabiam que ele tinha esse encontro marcado. Daí eles ligaram para o Marighela e padre IVO somente confirmou o encontro.
Sabe... fiquei sabendo que o Toledo também foi fuzilado em Moema. Não sei se é verdade, mas ele estava caminhando calmamente com um amigo pela alameda Maracantins ou a outra paralela. Atras deles vinham três caras falando alto sobre futebol. Eles nem se tocaram. Quando o trio se aproximou fuzilou os dois. Quem estava com o Toledo, eu não sei quem era. Talvez nem fazia parte de organização alguma.
Alzira começou a chorar não somente por saber dos detalhes de que foi vitima Marighela. Se eles invadiram o convento dos capuchinhos, minha mãe deve ter sido presa também, pois foi para lá que ela foi, depois que invadiram o Centro do Professorado Paulista. Mesmo assim ela se comportava como uma mulher forte.
O que chamou a atenção do pessoal era o silencio de Katia. Franklin colocou sua mão sobre ombro dela, e passou a dizer que fosse forte. Pois Clara que conviveu décadas ao lado de Marighela, estava tão forte como uma rocha, e que ela deveria ser tão forte quanto Clara. Aos poucos Katia foi levantando a cabeça, e disse:
-Minha tristeza é outra. Vou deixa-los, não sei se por uns tempos ou para sempre. Quem se mete numa guerra nunca sabe o dia de amanhã. Vou acompanhar o capitão. Ele tem o projeto de colocar a guerrilha em pé no Araguaia e vou acompanha-lo. Ele é um Homem Bravo, forte, tem o cheiro do macho que se impregna numa fêmea.
-Tenho necessidade de estar a seu lado. E eu vou para o que der e vier. Vou pegar em armas sim. Ele já até me deu uma aulas de tiro lá no campo de treinamento da Cidade de Deus, onde são treinados os segunranças do banco. Quero pegar um filho da puta de milico por vez, e estourar seu crânio. Espero dar noticias, adeus.
Uma forte emoção tomou conta do ambiente naquele momento ninguém se atreveu eu querer mudar a rota de Katia. No caminho da luta existem vários atalhos se envereda um revolucionário dizia capitão Azambuja, que era muito amigo de meu pai, e participou da revolução de 1932 junto com general Euclides Figueiredo em Lorena. Esse general, era carioca e lutou a favor de São Paulo contra Getulio. Dizia Saverio, historia que ele ouvia de seu pai, que trabalhava na Radio Record e ficou vários dias dentro da emissora colhendo noticias para que o locutor Cezar Ladeira dizer no microfone.
Os jornais publicavam ate com certo estardalhaço o que a esquerda vinha fazendo. Como a explosão de bomba no consulado americano em São Paulo. Mais o que deixou eles pensativos, foi o roubo de armas no hospital militar do cambuci.
-Na certa deve ter sido o seu capitão, Katia. dizia Alzira. Se ele invadiu o 4 RI em Quitauna, por que não invadiria o hospital militar do Cambuci ?
Franklin perguntou a Katia, se era uma boa ela acompanhar o capitão. Pensa bem antes de fazer uma bobagem. Nos somos amadores e por isso mesmo somos cautelosos. O capitão bota muita fé nele próprio, devido ser um atirador inigualável como dizem. Mas lá do outro lado também deve ter alguem que atire tão bem quanto ele.
Atirar muito bem eu acredito que exista alguem, mas igual e ele não. Isso eu te garanto que ninguém atira. Dizia Katia com ênfase.
No dia seguinte a mãe de Saverio levou o jornal como fazia diariamente. Uma outra noticia estava estampada.
O assalto ao trem pagador da Santos a Jundiai. Frankilin tinha a certeza de que grupos terroristas estavam fazendo poupança para fortes ações e duradouras, e para isso seria necessário ter muito dinheiro em caixa. Foi quando Saverio disse ficar sabendo por intermedio de uma colega de outra facção que um rapas, sabia que sua tia estava escondendo uma grana alta de um político famoso do passado. uma tal de Ana que era amante desse político. La chegando depararam com um cofre que tiveram que abrir na base do maçarico. Para surpresa e alegria de todos, tinha 25 milhões de dólares. Katia ao ouvir tudo isso e sabendo do risco que iria correr acompanhando o capitão, disse:
-De qualquer maneira eu vou. Esse é o homem da minha vida Se ele morrer, quero morrer a seu lado. Já Alzira refeita se sua emoção, disse em tom alto.
-Gente tudo isso acontecendo e nos aqui sentados num apartamento lendo noticias e comentando sem nada fazer ? Temos que sair a campo e batalhar. Temos que fazer causar algum impacto, vai fazer com que os milicos fiquem acuados, e venham a ceder em alguma alguma coisa para libertar alguns de nossos companheiros . Franklin levantou-se lentamente olhando para todos disse: bem a propósito do que disse a companheira Alzira, eu já vinha esboçando um plano para tal. Penso que somente um ato de ousadia que venha a coisa.
Escrito por mário Lopomo às 11h14
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
|
|
|
|
|
|
|
|
-Que loucura seria essa Franklin ? perguntou Saverio.
-Acho que se, nos seqüestrar-mos um figurão da política, vamos encostar os homens na parede. Se a gente seqüestrar um deputado ou ministro, pode redundar em nada. De repente o presidente pode ate gostar, dependendo do cara. Vamos seqüestrar uma figura estrangeira. Um embaixador por exemplo ! Saverio, que até então não tinha dado uma dentro, sugeriu.
-Acho que devemos começar pelo embaixador dos Estados Unidos, pegando um parasita do imperialismo americano, ai o impacto inicial será maior do que a gente pensa.
-Porra até que enfim heim Saverio, você saiu da toca. Perdeu o medo é ? acho que agora estamos em altos progressos, brincou Alzira, descontraindo o ambiente até então muito carregado.
Franklin foi até a cômoda e veio com vários papeis contendo o plano de ação, totalmente arquitetado.
-Alzira tenho uma missão difícil para você. Com essa beleza e tudo tenho, que colocar você como empregada domestica. a gargalhada foi geral. Alzira se portou com altivez.
-Se é para o bem do pais, até "prostituta" serei
Outras pessoas de confiança do grupo pertencentes a ALN (aliança libertadora nacional) e do Mr-8 (movimento revolucionário 8 de outubro) também participariam da ação pois não era coisa para três ou quatro pessoas de um único grupo, o pessoal da ALN tinham uma experiência em seqüestro.
O ambiente já estava por demais descontraído, sinal que tudo estava por dar certo, ninguém estava com fisionomia de medo.
Saverio depois de ler o conteúdo do plano estipulado por Franklin, se assustou. Meu deus se algo der errado estamos fudidos e com os dois pés no inferno.
Laerte o carioca que estava lá para dar apoio aos paulistas, indo a as compras e fazer outros serviços, sabia o endereço do embaixador americano. E na ponta da língua disse: Rua Barão de Petropolis 1026.
Foi para lá que Alzira foi para pedir emprego como domestica. Sua função seria a de ver todos os hábitos do embaixador, horários de saída, chegada, e as maneiras de todas as pessoas até de empregados. Na chegada o segurança que a recebeu já deu pistas de que Franklin, tinha acertado na mosca. Ele ficou embevecido com a beleza e sensualidade de Alzira. Uma morena um pouco alta, cabelos negros nos ombros, sem maquiagem, com pele de fino trato.
O segurança mais que depressa levou Alzira até a esposa do embaixador para a entrevista de praxe. Sendo admitida para as funções domesticas, pois como estudante precisava trabalhar para pagar a faculdade. Essa afirmação, foi o que impressionou a esposa do embaixador a admiti-la.
Dali saiu todas as informações de que precisava o mentor do seqüestro. Horários de chegada e saída e o percurso que faria para ir e voltar. Numa ocasião em que teve que comprar mantimentos para a casa, ela foi levada pelo segurança que também fazia as vezes de motorista.
E no carro, dizia que fazia sempre aquele caminho para ficar bem atento aos atalhos que necessitava para fugir de um possível assalto ou seqüestro.
Tudo estava caminhando para dar certo e foi num dia em que a seleção brasileira estava jogando em preparativo para o campeonato mundial, e que o presidente Medici, fanático por futebol estava com o pensamento longe da política, é que foi escolhida a hora para recolher simpático hospede a um cativeiro.
E foi com o aviso de Alzira que eles estavam sabendo que o embaixador iria almoçar num restaurante as 12 horas daquele domingo ensolarado. Um fusca beje com Laerte e Franklin estavam a cinquenta metros do local que morava Chales Burk Elbrick.
Sucesso total, tudo tinha dado certo, quando o cadilak preto do embaixador saia se sua residência o fusca deu-lhe uma fechada, o motorista do embaixador foi dominado. O embaixador quando estava sendo colocado numa Kombi, tentou fugir, Porem Laerte mais rápido deu-lhe um coronhada na cabeça, deixando-o um pouco mais "calmo" coberto por uma lona, só viu reflexos de luz quando chegou ao aparelho onde somente paredes eram o que seus olhos viam.
Ai o homem estava devidamente guardado para uma boa troca de seres encafuados em masmorras desconhecidas. Essa ousadia era completamente impensada pelos órgãos da segurança nacional. Ai começou uma batalha de negociações que durou uns bons dias.
Do lado dos seqüestradores vários nomes foram indicados. Mas, os órgãos do governo diziam que alguns não constavam como presos e outros não podiam ser liberados por terem participado de ações em que ouves mortos do lado dos militares. Outros nomes então eram colocados.
Foi quando Alzira se lembrou da mãe que possivelmente estivesse presa na invasão do convento dos capuchinhos, quando da prisão de padre IVO que redundou na morte de Marighela. Como não houve resposta negativa dos órgãos do governo, Alzira já tinha certeza que ela estava no meio dos grampeados das Perdizes. Pelo menos já sabia que o destino de sua mãe Irene, tinha outro caminho, que não torturas e possível desaparecimento.
Já seu pai foi negado sua libertação, juntamente com outros nomes considerados impossível de libertação. Como a demora estava sendo um problema para o governo brasileiro em relação aos Estados Unidos, foi feito uma ameaça de que qualquer coisa que viesse a acontecer ao embaixador os responsáveis seriam responsabilizados e com possível condenação a pena de |
Escrito por mário Lopomo às 11h09
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
morte recém aprovado no congresso. Seqüestro com morte. Isso apreçou um pouco as demarches, 15 presos políticos estavam sendo postos em liberdade.
Esperavam eles a confirmação pela imprensa apresentação da reportagem de TV, dos exilados desembarcando no México para encerrar o caso e soltar o embaixador. O que foi feito horas depois de o noticiário ir ao ar. Pela TV, Alzira respirava aliviado em ver sua mãe no meio dos presos políticos soltos, a Madre presa por ter escondido o bilhete de um aluno, também estava entre os exilados.
A primeira etapa esta concluída mas o plano iria mais alem, e eles já pensavam em seqüestrar outra figura de importância para soltar outros colegas que estavam na luta. A mãe de Saverio mais uma vez foi a porta voz da noticia estampada pelos jornais. Estavam eles já a 5 dias sem saber pelos jornais, por terem medo de sair a rua, pois tinha gente esquisita perambulando pelas proximidades, coisa que eles viam pela janela do aparelho, por de traz da cortina.
No jornal as fotos dos ex. presos políticos já em território mexicano, aparecia na primeira pagina dos jornais. A mãe de Saverio sentiu que alguém a seguia e mandou um recado. Ela iria o quanto menos possível no aparelho para não servir de isca aos olheiros do governo. Sendo assim A UNE alugou clandestinamente um apartamento onde um casal sem problemas com órgãos de segurança fosse ali morar como "cidadãos comuns" sem chamar a atenção de quem quer que seja inclusive de moradores do prédio. O apartamento onde o casal iria morar ficava no mesmo andar, duas portas de distancia de onde estavam os terroristas. Esse casal é quem levava comida e jornais e revistas para o aparelho. Caso fossem perseguidos e tivessem seu apartamento vasculhado, nada seria encontrado "por não ter eles nada a ver com a organização"
O sucesso dessa operação serviu de modelo para outras incursões, e sendo assim... Não muito tempo depois outro seqüestro estava sendo elaborado, e ia ser posto em ação. Mas com a entrada da VPR juntamente com ALN, que precipitou o seqüestro do embaixador alemão Von Hollebem fez com que eles abortassem o plano deixando para mais tarde quando a poeira viesse baixar.
Franklin achava por demais um seqüestro atrás do outro. Uma hora iria dar errado. Seria necessário que uma só organização fizesse o trabalho de elaboração e execução de sequestros.
No jornal os detalhes daquele seqüestro feito por outros grupos, em que Alzira e Franklin estavam surpresos. Pois ALN que haviam participado do seqüestro do embaixador americano estava agora envolvido com a turma do VPR (vanguarda Popular revolucionaria). Mas não deixavam de se deliciar com que o jornal escrevia. Desta feita foi uma ação mais ousada do que o do americano, dizia o jornal do Brasil. Uma caminhonete, um opala e uma Kombi, resolveram a parada. A caminhonete abalroou o mercedes do embaixador alemão, na rua Cândido Mendes (rio de Janeiro)
A seguir uma rajada de metralhadora inibia os policiais federais que davam proteção e um guarda costas do embaixador ao sacar sua arma levou um tiro no peito morrendo na hora. O opala levou o embaixador até a Kombi e dali partiu para o cativeiro. Mais uma rodada de negociações que deixava o pais todo numa expectativa incomum. E nessa negociação foram libertados 40 presos políticos enviados para a Argélia. Ali estavam vários que tinham sido presos no congresso clandestino de Ibiuna, o que foi saudado com euforia pela turma de Alzira que na negociação anterior pedira que fosse feito uma avaliação de onde se encontravam muitos dos que os federais diziam não saber por onde estavam.
Franklim achava que o Rio de Janeiro já estava sendo muito perigoso para eles, pois o casal que para ali foi morar começou a perceber que gente estranha fazia perguntas se não tinham visto algumas pessoas suspeitas pela localidade. Os que estavam em São Paulo, foram avisados e um imóvel já estava sendo procurado para servir de moradia e cativeiro.
Já era 1970, e o Brasil entrava no período de treinos para a copa do mundo, bom momento para agir, pois o presidente estaria mais preocupado com o selecionado do que com outra coisa qualquer. Dizia Saverio em tom de blague.
Franklin nem se importou com a piada, já tinha todo o organograma formado por Tanaca, um japonês radicado em São Paulo, que tinha como incumbência libertar todos os membros da comunidade do sol nascente. E quando japonês tem uma tarefa, está tem que ser feita da melhor maneira possível, senão ele o que vai comer capim pela raiz mais cedo. De posse de todo o planejamento organizado por Franklin, a próxima vitima seria o cônsul do Japão, Nobuo Okuchi, que Tanaka sabia muito bem todos seus hábitos, horários, assim como o percurso, inclusive o alternativo que o motorista tinha para variar. Tossio que também estava na parada, sabia que o cônsul sairia do consulado que ficava na avenida Brigadeiro Luiz Antônio as 18 horas. Na Praça Pérola Byngton, Franklin e Tossio, com motor do fusca ligado, viram quando o Oldsmobile preto placa 8 - 16 -17 saiu ,foram a uma distancia razoável e quando atingiram a rua Alagoas no cruzamento com a rua Baia, bem perto da policia federal, deram uma fechada no carro do cônsul Japonês, mal o carro parou o cônsul foi retirado e colocado em outro fusca de cor vermelha. Ideaki o motorista do cônsul foi advertido que se segui-se o carro, iria morrer.
terrorista Lucena (morto pela policia) e seus três filhos (Denilson, Adilson e Angela, de 3 anos) e vários descendentes de japoneses metidos com o terror.
No dia seguinte o governo recebeu os nomes dos os descendentes de Japoneses, presos que deveriam ser soltos, para que o cônsul continuar vivo. Chizui Okaka "o Mário Japa"
Yoshitame Fulgimori (ALN) André Massafumi, Carlos Takaoka, Takao Amano, João Katsunobu, (ALN) Nobre Ishi(PCB) Oscar Akiko Terada(PCB) Issami Nakamura Okamo, Júlio Yoshinobu Roni Yoshikawa. Também Delamaris, esposa do terrorista Lucena (morto pela policia) e seus três filhos (Denilson, Adilson e Angela, esta de 3 anos) e a madre Borges da Silveira. Havia um impasse nas negociações, o governo não queria soltar Chizuo Okada (Mário Japa) por ser este muito violento e terem participado de crimes considerados sanguinários. E que Yoschtame Fulgimori, não constava na lista , estando foragido. Mas os terroristas firmaram pé tendo o governo cedido soltando aqueles que estavam presos.
Daí para frente, a coisa começou a ficar feia e os órgãos de segurança estavam bem perto de pegar todos. Um amigo de Franklin se incumbiu de tira-los do centro da cidade e leva-los para Parelheiros a 50 quilômetros da praça da Sé. Ali era segurança total.
Quando estavam lendo os jornais com bastante atraso pois tiveram que sair as pressas para a periferia da cidade os jornais estavam com noticias que para eles ainda eram inéditas, lendo os jornais por ordem cronológica se depararam no ultimo que Yoschtame Fulgimori que era o mais violento de todos tinha morrido num tiroteio com a policia federal tendo a frente Sérgio Paranhos Fleury. Junto com ele tombou também Celso Silva Alves (nome falso constatado pela policia)
Escrito por mário Lopomo às 11h06
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Devanir José de Carvalho considerado outro bem violento, tinha conseguido escapar mesmo levando um tiro no braço. Joaquim Câmara Ferreira tinha sido preso em seu apartamento, e muitos documentos haviam sido apreendidos.
Franklin, Alzira e Saverio estavam bastante apreensivos pois a policia estava chegando bem perto de todos. O chefe do Mr. 8, mandou um recado para que eles não saíssem de lá e que ficassem o mais longe possível de uma tribo de índios que habitavam aquela localidade, pois eles podiam se assustar com pessoas estranhas e chamar a policia. No recado disseram para não vacilar como aconteceu no congresso da UNE em Ibiuna quando por um vacilo todos foram presos. Devido a noticias falsas de que diplomatas da Argentina e da Bolívia seriam seqüestrado em São Paulo, a policia fechou o cerco, só relaxando quando se viu que nada demais aconteceria.
No bilhete constava que o próximo seqüestro seria no Rio de Janeiro, e que eles aguardassem noticias. De fato no dia 7 de setembro daquele ano na rua Conde de Baependi, na laranjeiras, o embaixador da Suíça Giovani Enrico Bucher teve seu carro abalroado. O agente federal que dava segurança ao embaixador, gritou:
-Embaixador é um seqüestro! O embaixador com toda calma disse:
-Não é possível, eu nunca fiz nada de mal a ninguém. Vários tiros foram dados e o agente que dava segurança ao embaixador morreu.
A cada noticia dessas, deixavam os três reclusos em um sitio bem longe cada vês mais assustados. Marli uma colega de turma da USP sabendo que eles estavam no sitio de Parelheiros foi visitar seus antigos companheiros e levavam noticias de Katia que estava na Baia com o capitão.
Num bilhete que Katia enviou, dizia que o capitão tinha feito profissão de fé "Marxista Leninista" e formar um "exercito do povo" que lute para que "as fabricas sejam dirigidas pelos próprio operários" Marli também era portadora de um bilhete de Katia ao irmão. Estou na luta junto do capitão. "ele é fora de serie. É a única pessoa que conheço que traz em si o embrião do homem do povo."
Franklin com um nó na garganta e Alzira com olhos marejados liam e reliam o bilhete.
Já Saverio não deixava por menos: Vai gostar do cara, na casa do caralho ! Na verdade existia um grande amor entre Katia e o capitão. Em outro bilhete Katia revelava que o capitão tinha tentado vários contatos com gente da aeronáutica, falou com Sérgio macaco que rejeitou tal pedido pois tinha em mente reverter sua situação e refazer sua gloriosa carreira. Katia e o capitão estavam em locais diferentes e não demorariam muito para estarem juntos para dar seqüência a luta armada. Seria o tudo ou nada, porem juntos.
Dias depois o jornal que chegava as mãos de Franklim dava a triste noticia do paradeiro de Katia. Numa operação denominada "Para Pedro", inspeção rotineira de transito na lagoa Rodrigo de Freitas, a policia parou um Volks que vinha passando. Parado pela fiscalização. Seu motorista abriu a porta e saiu correndo. Na vistoria encontraram armas, explosivos e cartas do capitão endereçadas a Katia.
Daí surgiu a pista para a localização do paradeiro do capitão e Katia. Mas o fio da meada para se saber do paradeiro do capitão partiu de, Zé Carlos Cascão, o pombo correio da organização.
Foi ele o motorista que levou o capitão e katia para a Baia, numa Kombi meses antes. Katia foi deixada em Feira de Santana e o capitão foi para Brotas de Macauba. Os órgãos de segurança estavam bem próximos do capitão e consequentemente de Katia.
Um aparelho tinha sido estourando dias antes pelos órgãos de inteligência na rua Minas Gerais 123, praia de Pituba e efetuado varias prisões de militantes do MR 8, para ali foram na certeza de encontrarem o capitão. Mas quem estava ali era Katia que percebendo que os homens estavam fazendo a varredura saiu pela janela e no parapeito foi para outro apartamento ao lado numa operação arriscadissima. E valente Katia realizava com sucesso de uma verdadeira gata, literalmente falando.
Quando os agentes federias estavam indo embora, não encontrando ninguém, eis que um homem que por ali passava chamou os agentes e disse ter visto uma moça pulando a janela para o apartamento vizinho. Para lá foram os policiais e a encontraram trancada no banheiro foram lançadas bombas de gaz. lacrimogêneo e a moça acuada resolveu dar um tiro no peito. Até então ninguém sabia de quem se tratar.
Somente um exame datiloscópico é que revelou tratar-se de katia, a musa inspiradora do capitão.
Ao saber do suicídio de katia, Zé Carlos Cascão, o pombo correio resolveu dizer onde estava o capitão. Em sua mente Ze Carlos imaginou sem Katia, o que seria do capitão ? Na certa a vida não teria mais sentido para ele. Ai ficou mais fácil para os militares encontrar o capitão que estava dormindo junto do seu amigo Zequinha, seu companheiro de outras batalhas. Quando ouviu barulho, Zequinha assustado gritou:
-Capitão os homens estão ai ! Tanto o capitão, quanto Zequinha correram.
O capitão foi o primeiro a ser atingido, Zequinha embrenhou-se pela mata, mas foi pego e fuzilado. Mas ainda teve tempo de gritar: Viva a Revolução Comunista !
Antes de ser morto houve um rápido dialogo entre o capitão e o coronel Cerejeira, que tirou a foto do capitão do bolso.
-Você é o famoso capitão, não é ? Não ouve resposta.
-Como é o nome de sua amante ?
-Katia.
-Sabe o que aconteceu a ela ?
-Suicidou-se, não é ?
-Morreu... E sua família onde está ?
-Em Cuba. |
Escrito por mário Lopomo às 10h53
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
|
|
|
|
|
|
|
|
-O que você acha disso ?
-Eu sei quando perco.
-Você caiu nas mãos de um ex., companheiro. Você é um traidor do exercito brasileiro. Três homens assistiram esse dialogo em silencio.
Morria ali, o famoso capitão. Um sonhador, que tinha um amor que sonhava com ele na luta.
Nas mão do coronel a carta do capitão que seria endereçada a Katia, era lida para os demais companheiros.
-Quero lutar , vou lutar pelo nosso relacionamento, mas não me julgo no direito de exigir mais do que suas possibilidades. Tenho que admitir as suas necessidades afetivas e comparar com o que a realidade está aos poucos mostrando para nós, que mais tarde será inevitável o aumento de suas necessidades. Não quero estar sendo um puto, entenda neguinha, por favor. Sinto -me um cocô sem poder te ajudar, não posso exigir mais e cada vez mais e sempre, você é minha neguinha, o meu amorzão, a minha mulher. O que de mais lindo conheci na minha vida. Te quero muito, muito mesmo, e a minha ausência te faz sofrer. Isto está me arrebentando. Sinto me partido, magoado, sofrendo. talvez tudo o que escrevi acima seja eu, um filho da puta, de um mecanismo para não sofrer. Um puto individualismo meu. Mas te amo tanto e não posso pensar em você sofrendo.
No exame cadavérico realizado pelo instituto medico legal em Katia, revelou que ela tinha morrido virgem.
A luta armada estava se esvaziando a cada dia mais. Para aniquilar mais com o terrorismo. Foi o cabo anarquista que foi um dos responsáveis pelo que se sucedeu em 1964, trocou sua vida pela delação daqueles que estavam embrenhados nas matas do Araguaia. Lá as forças de segurança realizou um verdadeiro genocídio.
Só restou a, Alzira, Franklin, Saverio, Fernando e quem mais estava por ali reunidos, assistirem pela televisão uma verdadeira festa do milagre econômico brasileiro, com dizeres Brasil, Ame-o ou deixe-o,
Viram também a festa da uva em Caxias do Sul, inaugurando a TV em cores. Ainda se resguardando de uma possível prisão, estavam encafuados no aparelho, que agora já podia ser chamado pelo nome original, apartamento.
A eleição para presidente da republica naquele 15 de janeiro de 1974. O candidato oficial lançado pelo maior partido político do ocidente, a ARENA era Ernesto Geisel. Do lado do MDB o candidato de protesto Ulisses Guimarães. A indignação era total, o que tem esse cara de se meter na eleição, dizia Saverio. Será que ele não sabe que este é um jogo de cartas marcadas ?
É lógico que ele sabe Saverio, dizia Franklin. Ainda mais ele não iria saber. Tremenda raposa velha da política, está botando o nome dele como protestante, e ao mesmo tempo ele faz campanha política de graça para a próxima eleição a que vier participar.
Aos 45 anos Alzira a frente do espelho, olhando o que restou dela depois dessa luta inglória, ficava se perguntando: O que fiz eu da minha vida ? O que fiz na vida, senão lutando por um ideal? mas pensando bem. Lutando ou fugindo ? Na verdade a ideologia é uma coisa que não se concentra coletivamente e sim esporadicamente na cabeça de alguns. Muitos se tornam displicentes, fingem que lutam e faz corpo mole deixando a bomba nas costas de poucos que levam a ideologia a serio. Sem contar aqueles que entregam seus colegas de mão beijada para se safar da refega.
Quando menos espera, ela recebe uma visita inesperada. É Raoni. Seu colega de cursinho, e que juntos foram tentar a faculdade com mil projetos na cabeça. Cada um seguiu um destino diferente. Enquanto ela se juntava com moças e rapazes com ideologia mais arraigada a esquerda.
Raoni ia em frente com objetivos opostos, não falava em política, nunca estava no grupo daqueles tinham propostas para "salvar o Brasil" muitas vezes foi chamado de alienado. Raoni se formou em administração de empresas, tornando-se um alto executivo de uma multi nacional, que pegou o milagre econômico de Delfim Neto. Alzira um pouco constrangida foi logo dizendo:
-Viu o estado que fiquei ? Na verdade não sei se valeu a pena, mas o que passou. Se passou não tem mais volta. São ideologias meu caro Raoni. Como você não tinha a nossa ideologia, não pode avaliar o quanto foi bom lutar, e continuar vivendo, mesmo nessas condições. Pior foi quem tombou no meio do caminho, e seus parentes não tem idéia de onde foram parar.
Depois de ouvir a preleção inicial da amiga, Raoni falou sem constrangimento algum.
- Alzira, eu havia lhe dito quando você resolveu entrar na luta armada, que em certas ocasiões a luta é inglória. Civis não tem a mesma infra-estrutura militar. Vocês tinham somente a utopia. Nessa refrega, sempre tem aqueles que mijam para traz, como foi o caso daquele cabo que iniciou toda aquela confusão, e que foi o estopim da queda de João Goulart. E para salvar sua pele, entregou todos os incautos no Araguaia, quando se deu aquele verdadeiro genocídio. Na minha opinião vocês não foram derrotados em 1973. Vocês já entraram na luta derrotados, sem um tipo de estratégia sequer. Seqüestrando embaixadores estrangeiros, somente livraram a cara daqueles que sempre se esconderam por traz de vocês. Os espertalhões de sempre. Aqueles que nos |
Escrito por mário Lopomo às 10h51
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
pegavam para cristo, forçando-nos a pintar a cara, nos rotulando de calouros. Forçando nos a pedir esmolas, para que eles tomassem cervejas, e ainda nos chamando de idiotas. Eles hoje estão ai dando cartas e jogando de mão. São os heróis de uma luta em que praticamente eles não estavam. Fugiram foram para o estrangeiro a espera de que vocês conseguisse convencer os donos do poder que estava na hora de eles voltar numa anistia geral e irrestrita. Enquanto muitos deles davam entrevistas e recebiam os holofotes do proscênio, se convencendo em dizer que pegaram em armas sendo que nunca foram apresentados a elas. Muitos dos que ficaram aqui, fugindo de aparelho em aparelho, inclusive você, ainda estão tentando curar as chagas de uma luta inglória, que levou vocês para a cama, e eles a gloria.
-Você lembra dos festivais de musica, em que vocês confundiam ideologia com idiotismo político fanático? Lembra-se que vocês diziam que Caminhando de Geraldo Vandré era melhor que sabiá de Tom Jobim e Chico Buarque ? Quando discuti com você naquele festival de musica, em que você vibrava com Vandré e eu simplesmente ria ? Era porque que quem achava aquela merda "bonita" estava indo para um "caminho fácil" e ser obstruído na base da porrada.
Torcendo para Sabiá de Tom Jobim, eu não interpretava o lado da direita. Simplesmente gostava de andar na contra mão da maioria. Sou o tipo de gente que gosta de andar em solo firme. E não me interessa que cor esse solo tem. Também não sou de ficar em cima do muro. Antes de pular já sei que lado ele esta mais forte. Meu bem, a lei é dos mais fortes. Quem não observa esse detalhe, fica como você, praticamente inutilizada. Se não tanto fisicamente, mas, psicologicamente sim. Só que a musica de Vandré era somente uma tendência de confundir sem explicar, como dizia Chacrinha, naquela mesma época. O autor da musica, era um utópico, e pagou caro, e o autor de sabiá, que não comungava com os donos do poder apenas concorreu sem dar a entender que não gostava de milicos.
-A vida é assim minha querida. Enquanto existirem os trouxas, viverão felizes os espertos. Agora não adianta chorar. Muitos que estavam ao lado de vocês ficavam pelos bastidores. Eles acabam virando celebridades, taxados de heróis. Muitos já estão no poder. Outros desprezaram o poder mas ganharam verdadeiras fortunas de indenização. Gente que nunca moveu uma palha e ficou somente impedido de trabalhar e escrever estão ganhando verdadeiras fortunas de indenização. Enquanto os verdadeiros heróis sobreviventes, estão ai como você tentando descobrir onde erraram. Sua indenização será do INSS como qualquer aposentado ganhando um mero salário de sabe se lá quanto. Amanhã estes pseudos heróis estarão quem sabe nos governando, sempre com o titulo de antigos mártires que tiveram que deixar o país para sobreviver da prepotência ditatorial. Serão governantes Talvez tão prepotentes quanto foram os militares. E que alem de polpudas indenizações, ganharão ótimos salários e algum por fora, nas e mutretas de sempre. Enquanto você e outros que se mutilaram por uma ideologia odiada, por quem detinha o poder, terão quando muito a ajuda do governo pela previdência social. Com um salário mínimo desprezível. Isso ainda se comprovarem os anos de contribuição da previdência social. Sabe quem vai lucrar ? os amigos do Rei, aqueles que foram pra fora por conta própria e se intitularam de exilados vitimas do regime, que quando muito foram demitidos do emprego. É por isso que sai fora dessa parada. Não tenho constrangimento algum de ser chamado de alienado. Pelo menos não estou reclamando de nada, e nem vou pedir indenização, por que quando muito joguei bolinhas de gude para os cavalos deitarem. E se fiz isso é por que achava gozado ver os bichos deitarem e os meganhas da força publica cairem em plena Praça da Sé e João Mendes. Não me considero um covarde. Apenas vi que, contra a força não há resistência, e que mais cedo ou mais tarde, todos vocês iriam ficar com raiva de pensar em querer consertar um país que nasceu para os conservadores e corruptos.
Alzira via, seus ex. colegas voltarem do exílio. Uns ainda tímidos, com um ar de medo pois o Brasil estava entrando num sistema de abertura política. Sem o Ai -5, com o banimento revogado. Por outro lado outros bem falantes, rindo a toa e outros falastrões, que pareciam estar saindo escorraçado, em vês de estarem de chegada. Falavam como se o Brasil tivesse atingido a plenitude da democracia, sendo que ainda estava numa simples abertura política.
Como foi o caso do deputado falastrão responsável pela edição do Ai-5. A Democracia que veio exatamente vinte anos depois do movimento que infelicitou muita gente. Com o movimento das diretas Já, em que o povo pedia a eleição do presidente da republica pelo voto popular. Alzira foi convidada para adentrar na campanha e subir no palanque como uma das vitimas da ditadura.
Ela não aceitou porque sentiu que em cima do palanque tinha muitos sem vergonhas que estavam somente querendo entrar no lugar dos que estavam, para continuar a levar o pais a lugar nenhum, muitos dos que lá estavam pedindo liberdade, assembléia constituinte, que falavam e não diziam nada, se beneficiavam da ditadura, para fazer brilhareco político, e receber votos para se manterem no parlamento como seres inexpressivos.
Hoje eu me pergunto: Valeu a pena tudo isso ? O que ganhei, o que ganharam os demais que comigo estavam na luta ? Alguém ganhou sim. Ganhou os covardes que fingiam estar metendo o pau nos militares, inclusive nas tribunas da câmara ou do senado, mas eram discursos dúbios, que os militares entendiam que eram covardes, e que diziam coisas da boca pra fora, sem perigo algum para eles. Por outro lado tem famílias até hoje tentando curar feridas incuráveis, que insistem em não cicatrizar nas mentes de muitos pais e mães que não puderam sequer ver os corpos ou saber onde estavam e, estão seus filhos. Nisso tudo ficou a tristeza do dissabor da derrota, o ódio, a dor, e o travesseiro que não perdoa ninguém na hora de se colocar a cabeça nele. Hoje me vejo aqui nesta cadeira, gorda, desfigurada, amargurada, tomando calmantes, procurando tudo, não encontrando nada.
POLITICA MEU AMIGO: NUNCA MAIS
Escrito por mário Lopomo às 10h41
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
JUSCELINO KUBISTCHEK
O filho mais ilustre de Diamantina nasceu em 12 de setembro de 1902. Filho de João Cesar de Oliveira, um caixeiro-viajante e de Júlia Kubitschek (professora), estudou no colégio onde a mãe lecionava até entrar para o seminário.
Após mudar-se para Belo Horizonte a fim de continuar seus estudos, Juscelino formou-se em Medicina em 1927 em 1931, ingressa na Polícia Militar de Minas Gerais, onde alcança o posto de Coronel-médico e faz amizade com o político e futuro governador Benedito Valadares. No mesmo ano casa-se com D. Sarah Luiza Gomes de Lemos. Participa da Revolução Constitucionalista de 1932 em defesa do governo constituído, como capitão-médico da Força Pública. e durante alguns anos seguiu esta profissão.
Sua vida sofre uma grande mudança em 1933 quando Valadares é nomeado interventor federal em Minas Gerais e nomeia o amigo como seu chefe de gabinete. Inteligente e culto, Juscelino inicia sua vida política na Chefia de Gabinete do Governador Benedito Valadares
Seu primeiro envolvimento com a política ocorreu em 1934, quando foi nomeado chefe de gabinete do interventor federal em Minas Gerais, Benedito Valadares. No mesmo ano, elegeu-se deputado federal, cumprindo o mandato até 1937, ano que deu início ao Estado Novo.
Foi nomeado prefeito de Belo Horizonte em 1940 e começou a conquistar a projeção política que o levaria à Presidência da República quinze anos depois. Seu principal feito foi a construção do conjunto arquitetônico da Pampulha, num projeto do arquiteto, então iniciante, Oscar Niemeyer. Cumpriu seu segundo mandato de deputado federal a partir de 1945 e, cinco anos depois, foi eleito governador de Minas Gerais.
Em 1955 é candidato a presidente da republica, pelo PSD (Partido Social Democrático). A não ser em Minas Gerais, onde era governador, Juscelino era um emérito desconhecido no Brasil. Disputaria aquela eleição com pesos pesados da política brasileira. Adhemar de Barros pelo, PSP (partido social progressista) Juares Tavora UDN ( união democrática nacional) e outros menos cotados. O Brasil estava a um ano da grande tragédia da política, que foi o suicídio de Getulio Vargas. A UDN considerada uma das responsáveis por triste acontecimento, estava em baixa. Então fazia forte oposição a candidatura de Juscelino, que corria contra o tempo visitando varias cidades do Brasil
Mas havia restrição à candidatura de Juscelino, falava-se até em golpe por parte dos militares. Duvidava-se até da sua nacionalidade. Falava-se também sobre a nova geração de militares nas forças armadas que deseja pela espada moralizar a nação. Essa "nova geração" de militares que se referia à revista MANCHETE autora da denuncia , gravitava em torno da Escola Superior de Guerra. (ESG)
Comandada pelo general Juarez Távora. A onda de rumores "golpistas" aumentou em dezembro de 1954. Falava-se da existência de um documento dos chefes militares vetando a candidatura de Juscelino. O general Lott, ministro da guerra tentou por fim a onda de boatos anunciando que o exercito seria "uma espada neutra" não devendo usar armas contra as instituições democráticas. A eleição correu na mais perfeita ordem e Juscelino venceu com 3.077.411 votos, 36%. Isso foi motivo para os perdedores achar que tinham o direito de não deixar Juscelino tomar posse por não ter tido a maioria absoluta dos votos. Desencadeou-se uma violenta campanha por parte da UDN, tentando evitar a posse do presidente eleito. Carlos Lacerda colocava em manchete de primeira pagina em seu jornal, A TRIBUNA DA IMPRENSA. NÃO PODEM TOMAR POSSE, NÃO DEVEM TOMAR POSSE, NEM TOMARÃO POSSE.
A partir daí teve inicio uma violenta campanha de Carlos Lacerda, contra a posse de Juscelino. Ademar de Barros terceiro colocado, disse respeitar o resultado promulgado pelo Tribunal eleitoral, dando Juscelino como vencedor daquela eleição, amenizando a crise politica. Juares Tavora o candidato derrotado da UDN, também era contra impedir a posse do eleito. Pois se isso fosse feito seria o mesmo que mudar as regras do jogo depois de ele ter começado. O presidente Café filho na madrugada de 8 de Novembro teve um problema vascular e ficou impedido de governar. Pela hierarquia o presidente da Câmara assumiu a presidência. Era Carlos Luz que também estava querendo impedir a posse de Juscelino. Tudo estava indo como a UDN queria. Para aumentar ainda mais a tensão política, morre o general Canrobert Pereira da Costa, a 30 de outubro, precipitou os acontecimentos. A beira do túmulo o coronel Jurandir Bizarria Mamede, faz um violento discurso, deixando nas entre linhas o recado que o general Lott, ministro da guerra não queria ouvir. Eis o que dizia Bizarria Mamede: - General Canrobert (...) Aqui estamos, camaradas e amigos do clube Militar à beira do seu túmulo recém aberto (...) Não será por acaso indiscutível mentira democrática, um regime presidencial que, dada a enorme soma de poder que concentra em mãos do executivo, possa vir a consagrar, para investiduras do mais alto mandatário da nação, uma vitória da minoria ? (...)
O general Lott presente ao enterro de seu colega de generalato, ouvindo aquele discurso inflamado empalideceu, e ficou com um nó na garganta. Aquilo era um apelo à sedição! Endurecendo as feições, escutou até o fim o discurso que o coronel Jurandir Bizarria Mamede pronunciava a beira do túmulo do general Canrobert. Urgia tomar decisões. O general Odylio Denis insistia que Lott usasse a força para colocar os rebeldes na cadeia e acabar com a crise. Apesar de militar Lott era totalmente contra dar um golpe de estado, mesmo que fosse para manter a democracia. Mas em seu quarto e relembrando o que dizia Bizarria Mamede, começou a perceber que se não tomasse uma decisão rápida, quem daria o golpe de estado seriam os militares que estavam do outro lado. Pegou o telefone de campanha e ligou para Denis. General estou disposto a acabar com essa crise já. Em poucos minutos 25 mil homens estavam nas ruas do Rio de janeiro. Tanques e com a ajuda da Marinha e da Aeronáutica a tentativa de golpe contra a posse de juscelino estava abafada. Os rebelados estavam em alto mar a bordo do navio tamandaré. Ouve quem ainda achava que dava para resistir. Carlos Lacerda achava que dava para chegar até Santos e contar com o apoio do governador de São Paulo Jânio Quadros. Foi quando o coronel Mamede tomou a palavra:
"Eu me submeto à decisão da maioria, mas me permito lembrar aos senhores que o Brasil
Escrito por mário Lopomo às 20h26
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
- não vai acabar hoje. Se houver um derramamento de sangue, se houver a morte do presidente da republica aqui presente, será o germe da guerra civil que poderá durar anos. Nós fomos derrotados hoje, mas há um futuro pela frente"
- Com essas palavras gelaram os ânimos de tantos quanto estavam lá. A 13 de novembro o Tamandaré entrou na Baia da Guanabara; a aventura estava terminada. No dia seguinte enquanto Carlos Luz pronunciava seu discurso na câmara em que denunciava o ato de força, mas submetia-se a nova situação, Carlos Lacerda se refugiava na embaixada de Cuba.
Na capital da Republica o presidente da câmara, Flores da Cunha, anunciou o resultado da votação da moção que declarava o Sr. Carlos Luz impedido de exercer a presidência da republica. 185 deputados votaram a favor e 72 contra. A mesma votação no senado. Deu 44 votos a favor da moção, e 9 contra. Dessa forma, o presidente interino da republica passava a ser Nereu Ramos. Presidente do Senado.

Hemrique Dufles Teixeira Lott, Foi o responsavel pela posse de juscelino Kubistchek.
ENFIM, JUSCELINO NO PODER
No dia 31 de janeiro de 1956, o presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira, eleito pelo povo, recebia a faixa presidencial das mãos do presidente interino Nereu Ramos. Em seu discurso de posse Juscelino reafirmava o seu desejo de fazer o Brasil crescer 50 anos em cinco. Também de fazer a mudança da capital do pais para o planalto central, projeto de muitos anos que ele poria e execução.
O tripé de segurança formado pelo ministro da guerra, general Lott, pelo comandante do primeiro exercito gen, Odílio Denys, e pelo chefe de policia do distrito federal, garantiram a ordem interna e a solução das crises militares através da cúpula hierárquica. Segundo analistas a estratégia foi manter do inicio ao fim de seu governo o general. Lott no ministério da guerra, inclusive a quem devia sua posse.
O grande apelo de JK, foi o otimismo desenvolvimentista emanado do programa de metas, cuja finalidade era modernizar o Brasil dotando o de industrias de base e de bens de consumo duráveis (como automóveis)
Realmente entre 1956 e 1960, o Brasil apresentou crescimento econômico marcante baseado na expansão da produção industrial. Nesse período a industria cresceu 80 % , a industria do aço teve uma das porcentagens mais altas 100 % e a industria mecânica 125 % , as industrias elétricas e de comunicação 38 %, e industria de equipamentos de transportes 600 % .
A taxa de crescimento real foi de 7 % ao ano, e aproximadamente 4 % per capita. O governo de Juscelino Kubitschek seguiu uma política de nacionalismo desenvolvimentista, acelerando a substituição de importações, com maior ênfase na criação de industria de bens e capital. Deu incentivo especial as firmas estrangeiras, encorajando-as a n trazer equipamentos industriais, através da instrução 113 da SUMOQ, baixada durante o governo Café Filho ( que isentava as firmas estrangeiras da necessidade de cobertura cambial externa para importar maquinaria, desde que estivessem associadas a empresas brasileiras).

A estratégia nacionalista - desenvolvimentista baseava-se em um apelo ao nacionalismo. Era o destino do Brasil, tomar o caminho do desenvolvimento
Esse novo nacionalismo abriu o país ao capital externo, promovendo a importação de industrias e tecnologia. Em fevereiro de 1956, duas semanas após sua posse, Juscelino enfrenta a primeira crise que serviu para testar a eficiência de seu esquema militar. Persistiam sérios focos de descontentamento entre os setores militares derrotados a 11 de novembro do ano anterior. Desse ressentimento nasceu à revolta iniciada em Janeiro, pelo major aviador Haroldo Veloso e o capitão aviador José Chaves Lameirão, confiantes de que antigetulistas da marinha e do exercito só esperavam a oportunidade para pegar em armas contra o governo. Os rebeldes deixaram na redação do jornal Tribuna da Imprensa, um manifesto denunciando supostos entendimentos do presidente com grupos financeiros internacionais para entrega de petróleo e minerais estratégicos. Juscelino foi pego de surpresa com o movimento de Aragaças, chegou a sentir um novo 24 de agosto. Mas a eficácia dos ministros militares fez com que tanto o movimento de Aragaças, como o de jacareacanga fossem sufocados.
O governo de Juscelino é marcado por varias crises sempre dominadas com habilidade, duas greves de transporte publico em São Paulo. Em março houve quebra em São Paulo, pelo fato de a CMTC aumentar os preços das passagens dos bondes.
Mas o desenvolvimento da industria de veículos motorizados, mais comunicações, estradas e frotas aéreas, correspondia aos anseios de expansão e renovação técnica de todos os militares, simpáticos ou não a política Juscelinista.
O famoso porta aviões MINAS GERAIS de segunda mão comprado aos ingleses, foi um presente caro que deu bons frutos. Com o porta aviões afirmava Juscelino, deixarei de ser inimigo da Marinha e ao mesmo tempo, serei esquecido pelos partidários do Brigadeiro (Eduardo Gomes) que de outra maneira, não me deixarão governar.
A compra do porta aviões, não ficou sem a sátira do cantor e compositor Juca Chaves.
BRASIL JÁ VAI A GUERRA, COMPROU PORTA AVIÃO / UM VIVA PRA INGLATERRA./ 82 MILHÕES./ HÁ,... MAS QUE LADRÕES. Juscelino não gostou da brincadeira e processou Juca Chaves. Juscelino ia governando tendo que contornar crises, em 1957 foi à greve dos 400 mil trabalhadores que congregou seis categorias lideradas pelo presidente dos gráficos, Dante Pellacani, que também agitava a favor da futura dobradinha JAN JAN (Jânio-Jango) para as eleições presidenciais
Foi no seu governo que o Brasil foi campeão do mundo no futebol. Foram dias de grande ansiedade para o presidente, que ficava de ouvidos colados no radio, e ai de quem falasse em trabalho naqueles momentos, em que a bola rolava na Suécia. Quando os jogadores retornaram com a copa o marechal da vitoria Paulo Machado de Carvalho, chefe da delegação deu-lhe o gostinho de ver por momentos a Vênus de ouro tão cobiçada pelo povo a muitos anos. Mas o troféu que ele ganhou foi a bola que o goleiro Gilmar trazia nas mãos. A bola do jogo que o massagista Mário Américo, roubou do arbitro da partida, quando ele a, levava para o vestiário. Gilmar disse: Foi com essa presidente. Quando o calendário marcava 21 de Abril de 1960, Juscelino estava inaugurando Brasília, a capital da esperança. E no ano seguinte iria entregar a faixa de presidente, já na casa nova. O que realmente aconteceu. O presidente eleito era Jânio Quadros, que tinha serias divergências com Juscelino. Sua critica maior era a
 Em 1961, cartaz pede a volta do presidente na eleição seguinte, que acabou não acontecendo
Escrito por mário Lopomo às 20h24
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
divida que receberia do presidente Juscelino, que havia gastado os tubos na construção de Brasília. Jânio havia dito que no discurso de posse iria toda a verdade das gastanças e de outras coisas do governo que estava saindo. Juscelino disse abertamente para chegar aos ouvidos de Jânio. Darei um murro na cara dele em cima do palanque se isso acontecer. E o discurso de Jânio foi ameno, e até com elogios em cima do palanque. Mas a noite durante o programa a voz do Brasil Jânio desceu a lenha em Juscelino. No ano seguinte Juscelino se candidatou a senador pelo estado de Goiás, já se preparando para tentar voltar ao poder em 1965. de 1960. Mas quatro anos depois com a renuncia de Jânio, a incompatibilidade do presidente João Goulart com os militares, veio o movimento militar que pôs por terra a idéia de continuidade democrática, e assim as aspirações de Juscelino de voltar ao poder foi reduzidas a zero. Estava ali a revanche daqueles que tinham tentado por varias vezes tira-lo do poder. Agora estavam eles com a faca e o queijo na mão. Juscelino tinha a certeza de que seus dias estavam contados, e a pressão dos rebeldes da republica do galeão, o presidente Castelo Branco, mais cedo ou tarde assinaria sua cassação. Graças a sua influencia no congresso ele ficou sabendo a data de sua cassação. Foi a tribuna e fez seu ultimo discurso, dizendo :
Senhor presidente sabendo que hoje serei cassado, coloco vossa excelência a par disso. Quero dizer que os que me caçam hoje, são os mesmo que ontem viviam pedindo favores quando eu era presidente. Saio com a consciência tranqüila de que nunca trai ninguém, e que a traição me faz sair amargurado da cena política.
Deixo o Brasil porque essa é a melhor forma de exprimir o meu protesto contra a violência de que fui vítima e, ainda, porque não subsistem, neste instante no País, as condições mínimas que me permitam prosseguir na luta de que jamais desertei, pela preservação das instituições democráticas."
São palavras pronunciadas por JK no momento em que, em meio a tremenda balbúrdia, embarcava para Madrid, em companhia de sua mulher, D. Sarah, depois de ter seus direitos políticos suspensos por ato da Revolução.
Sôcos, pontapés, vaias, gritos, vivas, ameaça de tiros. Era o ambiente no Aeroporto Internacional do Galeão no fim da tarde daquele sábado 13 de junho de 1964.
Momentos depois o jato decolava. JK partia para o exílio voluntário, prometendo fazer dezenas de conferências na Europa e EE.UU.
Juscelino exilou-se em Portugal e ali iniciou a chamada frente ampla, onde inimigos de outrora o procuravam para articular, um meio de desestabilizar os governantes que se apossaram do poder. Entre eles estava Carlos Lacerda um dos lideres civis da "revolução", que por varias vezes lutou para coloca-lo fora do poder.
Carlos Lacerda também estava cassado depois de se rebelar contra os militares que não cumpriram com a palavra de devolver o país a democracia em 1965.
" Deixo o Brasil porque essa é a melhor forma de exprimir o meu protesto contra a violência de que fui vítima e, ainda, porque não subsistem, neste instante no País, as condições mínimas que me permitam prosseguir na luta de que jamais desertei, pela preservação das instituições democráticas."
São palavras pronunciadas por JK no momento em que, em meio a tremenda balbúrdia, embarcava para Madrid, em companhia de sua mulher, D. Sarah, depois de ter seus direitos políticos suspensos por ato da Revolução.
Sôcos, pontapés, vaias, gritos, vivas, ameaça de tiros. Era o ambiente no Aeroporto Internacional do Galeão no fim da tarde de sábado 13,
- O senhor impõe a ordem, pare com essa bagunça, se não... – disse, de revólver em punho, o comandante da Base Aérea do Galeão, Coronel Alfredo Corrêa.
- Os partidários do JK gritaram: "Gorila, gorila!"
Enquanto JK respondia ao Coronel: "Nada posso fazer. É o povo".
Momentos depois o jato decolava. JK partia para o exílio voluntário, prometendo fazer dezenas de conferências na Europa e EE.UU. Juscelino sempre foi uma pessoa bem quisto pelo povo. Seu sorriso transmitia algo positivo. Fora de suas atividades como presidente Juscelino tinha o aspecto de um boêmio, sem contudo ser. Gostava de musica, aprendeu a tocar violão com mestre Dilhermano Reis um virtuoso do instrumento. Sua musica preferida era, PEIXE VIVO.
Dançava como poucos, era conhecido como pé de valsa. No futebol era botafoguense. Havia até uma piada de espanhol na época em que (se háy govierno jo soy contra). Em 1957 quando o Botafogo foi campeão Juscelino na sacada do palácio do catete acenava para os botafoguenses que gritavam Botafogo, Botafogo, Botafogo, comemorando o titulo de campeão carioca. O espanhol correu para casa e disse a seus parentes: Paco, chico estão botando fogo em palácio de govierno! Outras piadas corriam por conta dos programas de radio e televisão. O apelido de Juscelino era Nôno, e como ele viajava muito então era como ver um barulho de avião e alguém dizer: Vai voando Nôno... Foram cinco anos de plena democracia, até hoje não mais vista. Juscelino morreu dia 22 de agosto de 1976, num acidente de automóvel, junto dele seu grande amigo, o motorista Geraldo. Quando do ocorrido estava em plena construção uma avenida no bairro do itaim bibi que levou seu nome. Ela vai da avenida Santo Amaro até a via marginal do Pinheiros. Em Brasília existe seu memorial, arquitetado pelo seu amigo e servidor Oscar Nyermaier. Quando quiseres lembrar de JK, é só cantarolar sua musica preferida.
PEIXE VIVO.
COMO PODE PEIXE VIVO, VIVER FORA D'ÁGUA FRIA. COMO PODEDREI VIVER, COMO PODEREI VIVER, SEM A SUA, SEM A SUA, SEM A SUA COMPANHIA !
Mário Lopomo
Escrito por mário Lopomo às 20h19
[ ]
[ envie esta mensagem ]
|
|

|
|

|