VINICIUS DE MORAES(PROFISSÃO POETA)
(1913 - 1980)
Quando se perguntava a Vinícius: “Quais as três coisas mais importantes da sua vida ?”, sua resposta era invariavelmente: “Primeiro Mulher, segundo Mulher, e por fim Mulher !”
Na musica, na poesia, na diplomacia, o poeta será sempre um eterno apaixonado, a procura do supremo impossível, o amor absoluto e a mulher ideal ansiosamente buscados em todas as mulheres.
Escrito por mário Lopomo às 21h43
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Bacharel em direito (contra a vontade); diplomata; boêmio em rodas nacionais e internacionais; graduado na universidade de Oxford; Amigo de Orson Welles (com quem quis apreender cinema, uma das suas mais fortes inclinações); aficionado do jazz (curtiu Lois Amstrong e Dizzy Gillespie, entre outros, no período em que serviu, como diplomata, em Los Angeles) ; parceiro musical, entre outros, de Paulo Soledade, Antônio Carlos Jobim, Baden Powell, Vadico, Pixinguinha, Adoniram Barbosa, Carlos Lyra, Francis Hime, Chico Buarque, Toquinho e Jonhann Sebastian Bach (de quem musicou a tocata “Jesus Alegria dos Homens”; premiado em Canes, com a “Palma de Ouro” pelo filme “Orfeu Negro” versão cinematográfica da peça ‘Orfeu da Conceição”; show-man da boate Zum-Zum; cantor badaladissimo (mesmo sem voz) – Vinícius é o símbolo de uma profunda mudança de valores. Poucos, como ele souberam traduzir tão bem os anseios de uma variada, universal e moderna experiência amorosa e captar tão convincentemente os excessos e a generosidade do sentimento comum, para se tornar interprete fiel de uma alma coletiva. Saravá !
Vinícius de Moraes, foi uma das vitimas do governo militar. Diplomata de carreira, sendo nomeado por concurso. Segundo os donos do poder, estava na lista dos pederastas e alcoólatras, tido também como membro da vagabundagem. Foi exonerado pelo ato institucional, em 1965, e aposentado compulsoriamente.
Escrito por mário Lopomo às 21h42
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Vinicius, dividia suas atividades de diplomata com a parte artistica. Era visto sempre no Rio de Janeiro ao lado de Tom, e outros membros da bossa nova na casa de Nara Leão, ou no Veloso, bar a beira mar onde vislumbrou a bela garota, que inspiro-o a compor a letra da musica garota de Ipanema.
MARCUS VINICIUS DE MELLO MORAES,
Morreu em 9 de Julho de 1980, (UMA QUARTA FEIRA) no Rio de Janeiro, de infarto do miocardio no colo de seu amigo e ultimo parceiro TOQUINHO.
TOQUINHO, o ultimo parceiro de Vinícius, lembra que a morte dele foi surpreendente para ele que já vinha privando da sua intimidade. Vinícius vinha se recuperando de problemas circulatórios que o obrigou a fazer rígida dieta, e vinha cumprindo religiosamente. Parecia estar ótimo, tanto que propôs terminar uma obra musical destinada a crianças. Como sempre ele se entusiasmou pelo trabalho e ficamos até de madrugada.
As sete horas da manhã a empregada me chamou(eu estava hospedado na casa dele) dizendo que Vinícius estava passando mal. A ambulância demorou vinte minutos a chegar. Vinícius morreu praticamente nos meus braços. No cemitério São João Batista, o poeta Carlos Drummond de Andrade para surpresa de todos, pôs-se a falar:
Escrito por mário Lopomo às 21h41
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“Eu queria ser Vinícius de Moraes.” Porque alem de poeta, foi compositor, diplomata e polígamo. Especialista em mulheres, casou 9 vezes, viveu sob o signo da paixão, aos trancos e barrancos.
‘Foi o único de nós que teve vida de poeta. Tinha o fôlego dos românticos, a espiritualidade dos simbolistas, a perícia dos parnasianos. Era o homem do seu tempo, exercendo a liberdade, a licença o expendido cinismo dos modernos”
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Carlos Drummomd de Andrade, que sempre foi muito arredio e não gostava de ir a lugares de grande concentração de pessoas, com barba por fazer, quebrou mais um tabu de sua vida, e desandou a falar nesse dia. "Eu amava Vinícius. Éramos grandes amigos. Embora não nos encontrássemos muito. As vezes falávamos por telefone. Eu sabia que ele também me amava e por isso achei natural que não nos víssemos sempre. Vinícius não teve uma vida regulamentada por padrões burgueses. Daí não se poder cobrar dele atitudes formais. Para mim o grande mérito de Vinícius, foi conseguir conciliar a poesia erudita com a musica popular. Ele sentiu que esse era o caminho para tirar a poesia do gabinete do laboratório"
Escrito por mário Lopomo às 21h40
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Toquinho o ultimo parceiro de Vinícius lembrava que sua morte foi surpreendente para quem vinha privando de sua intimidade. Ele já estava recuperado de problemas circulatórios que o obrigou a fazer uma operação. Seguia regiamente a dieta imposta pelo medico. Parecia estar ótimo, tanto que propôs terminar uma obra musical para crianças. Como sempre ele se entusiasmava com o trabalho e ficávamos até de madrugada. As sete horas da manhã desta quarta feira a empregada me chamou dizendo que Vinícius estava passando mal, a ambulância demorou vinte minutos a chegar. Vinícius morreu praticamente nos meus braços.
A garota que inspirou Vinícius e Tom Jobim a musica de maior sucesso Helô Pinheiro, visivelmente emocionada não quis dar declarações. Márcia Rodrigues a garota de Ipanema no cinema não compareceu ao enterro. Mas a ausência mais notada foi de Antônio Carlos Jobim. Ele tinha programado ir ao velório, mas acabou não tendo coragem de ver seu grande amigo morto. Preferiu ficar com a imagem de Vinícius vivo. A esposa de Tom, Ana Beatriz o representou no sepultamento. Neste 9 de julho de 2005, fez 25 anos que ficamos privados dos bonitos versos que ainda estavam por vir.
Se vivo fosse Vinícius estaria completando 92 anos de idade.
Escrito por mário Lopomo às 21h38
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Uma parte de sua grandiosa obra.
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O POETA
A vida do poeta tem um ritmo diferente
É continuo de dor angustiante
O poeta é o destinado do sofrimento
Do sofrimento que lhe clareia a visão de beleza
E a sua alma é uma parcela do infinito distante
O infinito que ninguém sonda e ninguém compreende .
Ele é o eterno errante dos caminhos
Que vai pisando a terra e olhando o céu
Preso pelos extremos intangíveis
Clareando como um raio de sol a paisagem da vida
O poeta tem o coração claro das aves
E a sensibilidade das crianças.
A VIDA VIVIDA
Quem sou eu senão um grande sonho obscuro em face do sonho
Senão uma grande angustia obscura em face da Angustia
Escrito por mário Lopomo às 21h36
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Quem sou eu senão a imperdoável árvore dentro da noite imóvel
E cujas presas remontam ao mais triste fundo da terra?
De que não venho senão da eterna caminhada de uma sombra
Que destroi a presença das fortes claridades
Mas em cujo rastro indelével repousa a face dos mistérios
E cuja forma é prodigiosa treva informe ?
Que destino é o meu senão o de assistir ao meu Destino
Rio que sou em busca do mar que me apavora
Alma que sou em busca do mar que me apavora
Alma que sou clamando o desfalecimento
Carne que sou no âmago inútil da prece ?
O que é a mulher em mim senão o Túmulo
O branco marco da minha rota peregrina
Aquela em cujos braços vou caminhando para a morte
Mas em cujos braços somente tenho vida?
OBS: Este poema expressa claramente a duvida existencial, a angustiosa interrogação por meio da qual o poeta se esforça por conferir dimensões humanas ao desejo de absoluto, afastamento da vida mística.
A Rosa de Hiroxima Pensem nas crianças / Mudas telepáticas / Pensem nas meninas / Cegas inexatas / Pensem nas mulheres / Rotas alteradas / Pensem nas feridas / Como rosas cálidas / Mas oh não se esqueçam / Da rosa da rosa / Da rosa de Hiroxima / A rosa hereditária / A rosa radioativa / Estúpida e inválida / A rosa com cirrose / A anti-rosa atômica / Sem cor sem perfume / Sem rosa sem nada.
Escrito por mário Lopomo às 21h34
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A volta da mulher morena
Meus amigos, meus irmãos, cegai os olhos da mulher morena Que os olhos da mulher morena estão me envolvendo E estão me despertando de noite. Meus amigos, meus irmãos, cortai os lábios da mulher morena Eles são maduros e úmidos e inquietos E sabem tirar a volúpia de todos os frios. Meus amigos, meus irmãos, e vós que amais a poesia da minha alma Cortai os peitos da mulher morena Que os peitos da mulher morena sufocam o meu sono E trazem cores tristes para os meus olhos. Jovem camponesa que me namoras quando eu passo nas tardes Traze-me para o contato casto de tuas vestes Salva-me dos braços da mulher morena Eles são lassos, ficam estendidos imóveis ao longo de mim São como raízes recendendo resina fresca São como dois silêncios que me paralisam. Aventureira do Rio da Vida, compra o meu corpo da mulher morena Livra-me do seu ventre como a campina matinal Livra-me do seu dorso como a água escorrendo fria. Branca avozinha dos caminhos, reza para ir embora a mulher morena Reza para murcharem as pernas da mulher morena Reza para a velhice roer dentro da mulher morena Que a mulher morena está encurvando os meus ombros E está trazendo tosse má para o meu peito. Meus amigos, meus irmãos, e vós todos que guardais ainda meus [últimos cantos Dai morte cruel à mulher morena!
Escrito por mário Lopomo às 21h33
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Soneto da separação
De repente do riso fez-se o pranto Silencioso e branco como a bruma E das bocas unidas fez-se a espuma E das mãos espalmadas fez-se o espanto. De repente da calma fez-se o vento Que dos olhos desfez a última chama E da paixão fez-se o pressentimento E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente Fez-se de triste o que se fez amante E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante Fez-se da vida uma aventura errante De repente, não mais que de repente
Escrito por mário Lopomo às 21h32
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SONETO DO AMOR TOTAL
Amo te tanto, meu amor...não cante / O humano coração com mais verdade.../ Amo te como amigo e como amante / Numa sempre diversa realidade.
Amo-te afim, de um calmo prestante, / e te amo alem, de presente na saudade.
Amo-te enfim, com grande liberdade /dentro da eternidade e a cada instante /Amo-te como um bicho, simplesmente, / de um amor sem mistério e sem virtude / Com um desejo maciço e permanente.
E de te dar assim muito amiúde / É que um dia em teu corpo de repente / Hei de morrer de amar mais do que pude.
Escrito por mário Lopomo às 21h31
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O DIA DA CRIAÇÃO
(fragmentos)
Hoje é sábado, amanhã é Domingo
A vida vem em ondas, como o mar
Os bondes andam em cima dos trilhos
E nosso senhor Jesus cristo morreu na cruz para nos salvar.
Hoje é sábado, amanhã é Domingo
Não há nada como o tempo para passar
Mas por via das duvidas livrai-nos meu Deus de todo mal.
Hoje é sábado, amanhã é Domingo
Escrito por mário Lopomo às 21h29
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Amanhã não gosta de ver ninguém bem
Hoje é que é o dia do presente
O dia é sábado.
Impossível fugir a essa dura realidade !
Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios
Todos os namorados estão de mãos entrelaçadas
Todos os maridos estão funcionados regularmente
Todas as mulheres estão atentas
PORQUE HOJE É SABADO.
Neste momento há um casamento
Porque hoje é sábado
Há um divorcio e um violamento
Porque hoje é sábado
Há homem rico que se mata
Porque hoje é sábado
Escrito por mário Lopomo às 21h28
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Há um incesto e uma regata
Porque hoje é sábado
Há um espetáculo de gala porque hoje é sábado
Há uma mulher que apanha e cala
Porque hoje é sábado
Há um renovar-se de esperanças
Porque hoje é sábado
Há uma profunda discordância
PORQUE HOJE É SABADO.
Por todas essas razões deveria ter sido riscado do livro das origens, o sexto dia da criação.
De fato, depois da Ouverture do Fiat e da divisão de luzes e trevas.
E depois, da separação das águas, da fecundação da terra
E depois, da gênese dos peixes e das aves e dos animais da terra.
Melhor fora que o Senhor das esferas tivesse descansado.
Na verdade, o homem não era necessário
Nem tu, mulher, ser vegetal dona do abismo, que queres como as plantas, imovelmente e nunca saciada.
Tu que carregas no meio de ti o vórtice supremo da paixão.
Escrito por mário Lopomo às 21h25
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Mal procedeu, o senhor em não descansar durante os dois últimos dias.
Trinta séculos lutou a humanidade pela semana inglesa
Descansasse o senhor e simplesmente não existiríamos
Seriamos talvez pólos infinitamente pequenos de partículas cósmicas em queda invisível na terra.
Não viveríamos da degola dos animais e da asfixia dos peixes
Não seriamos paridos em dor nem suaríamos o pão nosso de cada dia
Não sofreríamos males de amor nem desejaríamos a mulher do próximo
Não teríamos escola, serviço militar, casamento civil imposto sobre a renda e missa de sétimo dia.
A UM PASSARINHO
Para que vieste / na minha janela / meter o nariz ?
Se foi por um verso / Não sou mais poeta.
Ando tão feliz ! / Se é para uma prosa / Não sou Anchieta / Nem venho de Assis.
Deixe de historias / Some-te daqui !
Escrito por mário Lopomo às 21h23
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POEMA DE NATAL
Para isso fomos feitos: / para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar / Para enterrar os nossos mortos / Por isso braços longos para os adeuses.
Mãos para colher o que foi dado / Dedos para cavar a terra.
Assim será a nossa vida / Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver / a noite em silencio.
Não há muito que dizer / uma canção sobre um berço/
Um verso, talvez, de amor / uma prece por quem se vai
Mas que essa hora não esqueça / E por ela os nossos corações / Para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para ver a participação da poesia
Para ver a face da morte
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.
Escrito por mário Lopomo às 21h18
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OPERARIO EM CONSTRUÇÃO
Era ele que erguia casas
Onde antes só havia chão.
Como um pássaro sem asas
Ele subia com casas.
Que lhe brotavam da mão
Mas tudo desconhecia.
De sua grande missão:
Não sabia, por exemplo
Que a casa de um homem é um templo.
Um templo sem religião
Como tampouco sabia
Que a casa que ele fazia
Sendo sua liberdade
Era sua escravidão
De fato, como podia
Um operário em construção
Compreender por que um tijolo
Valia mais do que um pão?
Tijolos ele empilhava
Com pá, cimento e esquadria
Quanto ao pão, ele o comia...
Mas fosse comer tijolo !
E assim o operário ia
Com suor e com cimento
Erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Alem uma igreja, á frente
Um quartel e uma prisão:
Prisão que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção.
Escrito por mário Lopomo às 21h16
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MULHER CARIOCA
A gaúcha tem a fibra / A mineira, encanto tem
A baiana quando vibra / Tem tudo isso e o céu também
A capixaba bonita / É de dar água na boca
E a linda pernambucana /Ai meu deus que coisa louca
A mulher Amazonense / Quando é boa, é de mais
Mas a bela cearense / Não fica nada para traz
A Paulista tem erva / Alem das graças que tem
E a nordestina conserva / Toda a vida, o querer bem
E a mulher carioca / O que ela tem ?
Ela tem... Tanta coisa /
Que nem sabe o que tem / Tem o bem que ela tem
Ela tem o corpinho / Que ninguém tem
Ela faz o carinho / Como ninguém
Ela tem o passinho / Que vai e que vem
Ela tem o jeitinho ... Um jeitinho de hem
Hem, hem, nenhem ... Nenhem hem
A Carioca tem um jeitinho
De hem, nenhem...nenheiemmm
Escrito por mário Lopomo às 21h15
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UM HOMEM CHAMADO ALFREDO
O meu vizinho do lado / se matou de solidão
Ligou o gás, coitado / Ultimo bujão
O que ninguém queria / Era lhe dar atenção
Porque ninguém mais lhe abria / As portas do coração
Levou com ele seu louro / e o gato de estimação
Há quanta gente sozinha / Que gente logo advinha
Gente que sem vês de amar / Gente que basta um olhar
Quase nada, gente com olhos no chão/ Sempre pedindo perdão
Gente que a gente não vê / Por que é quase nada
Eu sempre o cumprimentava / porque parecia bom
Um homem por traz dos óculos/ Como dizia Drummond
Num velho papel de embrulho / Deixou um bilhete seu
Dizendo que se matava / cansado de viver
Em baixo assinado / Alfredo, não sei de que
Coitado do seu Alfredo /Eu me lembro muito bem dele
Vizinho do lado. Omisso, humilde
Parecia não Ter passado/ Muito menos presente
E nem futuro. Uma dessas figuras
Com as quais a vida não teve /A mínima complacência
Um solitário total / Não sabia em que ponto
Ou até em que ponto decidiu se matar ?
Escrito por mário Lopomo às 21h14
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AMIGOS
Eu tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos
Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que eu tenho deles.
A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida entre afetos, enquanto o amor intrincico o ciúme, que não admite a rivalidade.
E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amigos.
Até mesmo aqueles que não perceberam o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências...
A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.
Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida.
Mas porque não os procuro com assiduidade, não posso-lhes dizer o quanto gosto deles.
Eles não iriam acreditar.
Muitos deles estão lendo essa crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos.
Mas é delicioso saber que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure.
E as vezes, quando os procuro noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida .
Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.
Se todos morrerem, eu desabo !
Por isso é que sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.
E me envergonha, porque essa minha prece é síntese dirigida ao meu bem estar. Ela talvez é fruto do meu egoísmo.
Por vezes mergulho em pensamento sobre alguns deles.
Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me uma lagrima por não estarem junto de mim,
Escrito por mário Lopomo às 21h10
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Ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e principalmente os que desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos !
A GENTE NÃO FAZ AMIGOS, RECONHECE-OS
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ABRAÇO
ABRAÇO... ABRAÇO... ABRAÇO...ABRAÇO...
DE REPENTE ME DEU VONTADE DE UM ABRAÇO...
UMA VONTADE QUE ENTRELAÇO, DE PROXIMIDADE... DE AMISADE, SEI LÁ...
TALVES UM ACONCHEGO QUE ENFATISE A VIDA E AMENISE AS DORES ...
DEU VONTADE DE PODER REVER SAUDADE DE UM ABRAÇO.
SÓ SEI QUE ME DEU VONTADE DESSE ABRAÇO.
ANTOLOGIA
De tudo, ao meu amor serei atento/ Antes , e como tal zelo, e sempre, e tanto/ Eu mesmo em face do maior encanto/ Dele se encante mais meu pensamento.
Quero, vive-lo em cada vão momento / Em seu louvor hei de espalhar meu canto / E rir meu riso e derramar meu pranto / Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me preocupe / Quem sabe a morte , a angustia de quem vive / Quem sabe a solidão , fim de quem ama/ eu possa me dizer do amor (que tive):/ Que não seja imortal, posto que é chama/ Mas que seja infinito enquanto dure.
No dia nove de julho de 1980, a poesia fez o possível para manter a cabeça erguida, mas uma lagrima rolou.
Texto e pesquisas de: Mário Lopomo
Escrito por mário Lopomo às 21h07
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